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1 mês

Milhões de pessoas em confinamento na China por novos focos de covid-19

06/07/2022 10h29

Pequim, 6 Jul 2022 (AFP) - Dezenas de milhões de pessoas entraram em confinamento nesta quarta-feira (6) na China devido ao aumento dos casos de covid-19, o que provoca o temor do retorno de restrições draconianas em Xangai.

A maior cidade da China permaneceu em confinamento durante dois meses na primavera (hemisfério norte, outono no Brasil) e as rígidas condições impostas revoltaram parte de seus 25 milhões de habitantes.

Desde 1º de junho, muitas restrições foram suspensas, mas alguns bairros permanecem temporariamente fechados após a detecção de alguns casos.

Um aumento de contágios foi registrado desde o fim de semana e Xangai contabilizou 24 novos casos nesta quarta-feira.

As autoridades iniciaram uma nova série de testes em larga escala em metade dos distritos de Xangai e nesta quarta-feira ordenaram o fechamento dos bares de karaokê após a detecção de alguns contágios originários destes locais.

Cinco semanas após a suspensão do confinamento, parte dos moradores teme a volta das restrições.

"Eu realmente não tenho vontade de fazer, é inútil", declarou à AFP Alice Chan, uma moradora da cidade, que finalmente se resignou por medo de perder o certificado de saúde.

"As pessoas não têm mais medo da covid, têm medo de permanecerem trancadas em casa", disse Yao, morador de Xangai que não revelou o sobrenome.

Alguns moradores relataram nas redes sociais que receberam porções de alimentos do governo, como aconteceu há alguns meses.

"Deixe-me contar uma história de medo: o distrito de Putuo está enviando legumes de novo", postou um morador na rede WeChat.

"Estou muito nervoso, a epidemia destruiu minha juventude. Vou enlouquecer", escreveu outro morador de Xangai na rede Weibo.

O ministério da Saúde informou 300 casos da doença nesta quarta-feira em todo o país.

A principal região afetada é a província de Anhui (leste), onde 1,7 milhão de pessoas de duas áreas rurais estão em confinamento.

Mais de mil casos foram registrados desde a semana passada, com infecções na província de Jiangsu (leste), na fronteira com Xangai e uma região de grande produção.

A grande cidade de Xi'an, com 13 milhões de habitantes, foi colocada sob "medidas temporárias de controle" após a detecção de 29 contágios desde sábado.

Outrora capital imperial, Xi'an é conhecida em todo o mundo por seus famosos "Guerreiros de Terracota" do primeiro imperador da China.

Locais de entretenimento, incluindo pubs, cafés e bares de karaokê, foram fechados a partir da meia-noite de quarta-feira, informou o governo local.

A imprensa estatal divulgou imagens dos moradores de Xi'an em filas para testes após meia-noite, ao mesmo tempo que insistiu que a cidade não está em confinamento.

As autoridades atribuíram o surto na cidade à subvariante BA.5.2 da ômicron, que é mais transmissível e escapa da imunidade.

A subvariante também foi detectada em Pequim, mas as autoridades consideraram que a epidemia está "sob controle".

A capital, no entanto, reforçou as medidas sanitárias: a partir de 11 de julho as bibliotecas, museus e cinemas só permitirão o acesso a pessoas vacinadas.

Os novos casos são um desafio para o presidente Xi Jinping, que na semana passada reafirmou o compromisso com a estratégia chinesa de 'covid zero', apesar do crescente custo econômico.

O governo considera a estratégia necessária para evitar custos médicos e proteger os idosos, que têm índice de vacinação baixo.

Mas o impacto da estratégia na atividade econômica é muito elevado e várias empresas permanecem fechadas ou funcionam em ritmo lento.

A variante ômicron continua sendo um "problema de grande importância para a economia chinesa", adverte o economista Ting Lu, do banco Nomura.

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