Empatados, democratas vão a debate por definição de candidatura

Faltando uma semana para o início das prévias eleitorais, que definirão os candidatos democrata e republicano para a presidência dos Estados Unidos, os dois principais concorrentes do Partido Democrata, Hillary Clinton e Bernie Sanders, aproveitaram ontem a sabatina organizada pelo canal CNN e pela Universidade Drake, em Des Moines, para tentar alargar a diferença nos índices de pesquisa, que hoje mostram os dois praticamente empatados na preferência do eleitorado.

Depois de muitos meses à frente da preferência dos eleitores, Hillary se encontra, na reta final da campanha, ameaçada por Bernie Sanders. De acordo com as últimas pesquisas, a ex-secretária de Estado figura com 52% enquanto o senador Senders está com 48% das intenções de voto.

O formato do programa não permitiu o confronto direto entre os dois pré-candidatos. Embora o programa contasse com o candidato Martin O'Malle, ex-governador de Maryland, as atenções se voltaram para Hillary e Sanders. Na primeira parte do programa Sanders respondeu a perguntas de cidadãos - intelectuais, estudantes universitários, trabalhadores - e a questões formuladas pela CNN. No momento seguinte, Hillary comentou.

Sanders iniciou sua participação dirigindo palavras amáveis Hillary Clinton. Um minuto depois, ele mudou. Criticou a imagem formada por Hillary, de que tem mais experiência, e condenou a posição da ex-secretária de Estado de ter apoiado a guerra dos Estados Unidos contra o Iraque.

Sanders argumentou que Hillary, apesar de ter sido secretária de Estado durante quatro anos, não estava melhor preparada para a presidência dos Estados Unidos do que ele. "A experiência é importante, mas o julgamento também é importante", disse Sanders. Ele lembrou que havia votado contra a invasão do Iraque, enquanto ela apoiou.

Considerado o candidato mais à esquerda entre os democratas, Sanders se define como um socialista-democrata. No debate, ele afirmou que a solução da crise enfrentada pelos Estados Unidos, hoje, vai além das medidas políticas e econômicas. "Precisamos de uma revolução política", disse.

Em sua campanha, Sanders tem acusado Hillary de manter relações com Wall Street, em uma referência ao mercado financeiro americano. No contexto do que chama de "revolução", ele inclui a elevação de impostos para banqueiros e classes mais ricas; o repatriamento das fortunas deixadas em paraísos fiscais, a elevação em 100% do salário mínimo e a universalização do atendimento à saúde.

Hillary Clinton ressaltou que vem defendendo mudanças em favor do bem-estar social desde a juventude. E citou seus esforços para reformar o sistema de saúde americano durante a época em que seu marido, Bill Clinton, era presidente dos Estados Unidos. Observou que seus esforços só não tiveram êxito por causa da intensa oposição dos republicanos.

Hillary Clinton defendeu seu papel como secretária de Estado, de 2009 a 2013. Ela argumentou que, durante esse período, iniciou um longo processo de conversações que culminaram, recentemente, com o acordo nuclear com o Irã. Isso ocorreu, segundo ela, em um momento em que muitos países amigos sugeriram que seria mais fácil bombardear o Irã. "Eu passei muito tempo explicando aos nossos amigos porque isso não era uma boa ideia", disse Hillary.

O Presidente Barack Obama, que tenta manter-se neutro na corrida de seu partido, fez ontem elogios à sua ex-secretária de Estado. Ao afirmar que Hillary possui uma "inteligência mágica" e que ela é "extremamente experiente", Obama lançou a senha para que a imprensa norte-americana falasse de sua preferência por ela. Obama também afirmou que na corrida eleitoral entre os democratas, Hillary foi superexposta, o que acabou rendendo pontos para Sanders.

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