Caravana leva serviços e debate sobre violência contra mulher a caminhoneiros

A Caravana Siga Bem, projeto itinerante da ONU Mulheres que aborda a violência doméstica contra mulheres e a exploração sexual de jovens, encerra sua nona edição esta semana em Guarulhos, na Grande São Paulo.

De hoje (22) até quinta-feira (25), o projeto oferece gratuitamente serviços como corte de cabelo, massagem, exames rápidos de saúde, e também peças de teatro e debates sobre violência. A caravana já percorreu 23 estados e o Distrito Federal, num total de 110 municípios e 32 mil quilômetros de estrada desde maio de 2015.

As ações acontecem em postos de gasolina e concessionárias de rodovias e têm como público-alvo os caminhoneiros. "É um público carente de atividades. Criamos as atividades de acordo com o dia a dia do caminhoneiro e propomos essas discussões de combate à violência doméstica contra a mulher e combate à exploração sexual de crianças e adolescentes, porque o caminhoneiro é um potencial disseminador dessas ideias", disse o coordenador de responsabilidade social da caravana, Gustavo Curti.

Sérgio Reis vem a Brasília divulgar a Caravana Siga Bem Crianças, que combate a exploração sexual infantil(Antônio Cruz/ABr)

A Caravana Siga Bem já percorreu 23 estados e o DF, num total de 110 municípios e 32 mil quilômetros de estrada desde maio de 2015Arquivo/Antônio Cruz/Agência Brasil

O projeto é sempre muito bem recebido, de acordo com a organização, principalmente em cidades do interior e do sertão, onde existem poucas opções culturais e de entretenimento, além dos serviços rápidos de higiene e saúde abertos ao público.

Como muitas vezes os caminhoneiros passam várias horas do dia em postos de gasolina para descansar, acabam participando do projeto. Cerca de 500 pessoas são atendidas por dia, segundo a ONU Mulheres.

O caminhoneiro Gilmar Lopes da Silva participou da caravana hoje e contou que já viu situações de violência contra a mulher e que chegou a intervir. "Sou totalmente contra isso. Eu intervi em uma briga em Minas Gerais. Um casal estava brigando na rua, o marido estava batendo na mulher, eu desci do caminhão e parti pra cima dele", disse. "Bater em uma mulher, acho absurdo. Sou casado há 28 anos, nunca levantei a mão para a minha mulher. Sempre que temos algum problema, nós conversamos. Sou contra, completamente contra".

O coordenador da caravana, Gustavo Curti, ressalta que, apesar de o público-alvo ser o caminhoneiro, o projeto não se restringe à categoria, e atende à comunidade e às famílias da região por onde passa. "Tem shows de música, espetáculos de teatro, ciclo de palestras, dos quais as famílias também participam".

Elcio Pereira da Rocha, caminhoneiro há 26 anos, veio de Ji-Paraná, no interior de Rondônia, para São Paulo acompanhado da esposa Elany Abade da Silva e do filho Pedro Henrique. Ele contou que a irmã já sofreu violência doméstica. "Vivi isso com minha irmã, é uma coisa muito ruim pra gente, abala a família. O marido espancava ela. A única coisa [que podemos fazer] é tentar ajudar e pensar bem nisso, porque não queremos isso na casa da gente."

Violência em números

Dados divulgados pela ONU Mulheres mostram que, somente na capital paulista, mais de 22 mil mulheres foram vítimas de agressão em 2014, uma média de 60 casos por dia. No estado, foram mais de 127 mil casos. Cerca de 80% desses crimes são cometidos por homens com quem a vítimas têm ou tiveram vínculo afetivo.

Dos 4.762 homicídios de mulheres registrados em 2013, 50,3% foram cometidos por familiares. Desse total, 33,2% dos assassinatos foram cometidos por parceiros ou ex-parceiros. A estimativa é do Mapa da Violência 2015: homicídio de mulheres no Brasil. Baseado em dados do Ministério da Saúde, o levantamento revelou que a violência doméstica e familiar é a principal forma de violência letal praticada contras as mulheres no país.

As atividades da Caravana Siga Bem ocorrem até quinta-feira (25), das 12h às 22h, no Posto Sakamoto, na Rodovia Presidente Dutra (km 18 sentido São Paulo), na altura da cidade de Guarulhos.

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