Políticas não mudam, qualquer que seja resultado do referendo, afirma Morales

15 de Fevereiro de 2007 - Brasília - Os presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Evo Morales (Bolívia) assinaram acordos de cooperação. Evo prometeu que não deixará faltar gás natural no Brasil (Roosewelt Pinheiro

Bolivianos foram consultados sobre possibilidade

de  Evo  Morales  vir a disputar o quarto mandato presidencial consecutivo Arquivo/Agência Brasil

O presidente da Bolívia, Evo Morales, afirmou hoje (22) que vai continuar com as políticas adotadas desde seu primeiro mandato, em 2006, mesmo se for derrotado no referendo de ontem (21). Neste domingo, 6,5 milhões de eleitores bolivianos foram às urnas para votar uma mudança constitucional que permitiria a Morales disputar o quarto mandato presidencial consecutivo em 2019.

Pesquisas de boca de urna de duas consultorias privadas dão vitória à oposição, mas Evo Morales pediu aos bolivianos que esperassem "serenamente" os resultados oficiais. Segundo o presidente, quando forem computadas as urnas no interior da Bolívia e no exterior - onde o governo tem apoio - o panorama pode mudar.

Se a reforma for aprovada, e Morales, novamente reeleito, poderá continuar no poder até 2025. Primeiro presidente indígena da Bolívia, Morales diz que este é o tempo necessário para concluir a "revolução". Em dez anos de governo, ele estatizou os recursos naturais, reduziu os índices de analfabetismo e de pobreza, e a economia boliviana cresceu em média 5% ao ano.

Este ano, a Bolívia, a exemplo dos países vizinhos, deve sofrer o impacto da queda nos preços das commodities (produtos primários com cotação em mercados internacionais). Ainda assim, as previsões do Fundo Monetário Internacional (FMI) são de que o pequeno pais cresça 3,5%.

Apesar de ter assumido recentemente o terceiro mandato consecutivo (transformando-se no presidente que mais tempo governou um país com histórico de instabilidade política e econômica), Morales aproveitou o cenário favorável para lançar uma campanha pelo "sim" à reforma constitucional que lhe permitiria candidatar-se às eleições de 2019. A oposição, que fez campanha pelo "não", diz que a falta de alternância política é sinônimo de autoritarismo.

A morte de seis pessoas num protesto e denúncias de que Evo Morales teria favorecido uma ex-namorada com contratos governamentais contribuíram para fortalecer os oposicionistas.

Na noite passada, mal terminou a votação, a oposição comemorou o que considera a primeira derrota de Morales em dez anos de governo. Segundo as pesquisas de boca de urna da consultoria privada Ipsos, a campanha pelo "não" obteve 52,3% dos votos, enquanto o "sim" ficou com 47,7%. Outra consultoria, Mori, dá 51% ao "não" e 49% ao "sim". Em entrevista, o vice-presidente Álvaro García Linera, que acompanha o presidente desde a primeira eleição, disse que qualquer festejo é prematuro porque, em uma votação tão apertada, todo voto conta, e "basta um a mais" para ganhar.

Segundo Linera, o atual panorama favorável à oposição pode mudar quando forem contados todos os votos das urnas vindas do interior e do exterior, onde o governo tem apoio. "Na Ásia, a oposição ganhou, mas, em países onde a presença boliviana é grande, como a Argentina e o Brasil, 80% votaram a favor [da mudança constitucional]", disse Linera. De acordo com o vice-presidente, o mais prudente é esperar os resultados oficiais, "antes de realizar uma comemoração forçada, que pode acabar em choro".

Morales afirmou hoje que, seja qual for o resultado, será respeitado, e as mudanças que Morales empreendeu continuarão. "Não somos apenas um governo. Somos uma revolução pacífica, democrática e cultural", disse o presidente. "A vida continua, e nossa luta para [melhorar o país] continuará."

O terceiro mandato de Evo Morales termina em 2020.

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