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Passageiros protestam contra mudanças nas linhas de ônibus do Rio

Vladimir Platonow

Da Agência Brasil, no Rio

28/04/2016 21h30

Usuários das linhas de ônibus municipais do Rio de Janeiro realizaram um protesto nesta quinta-feira (28) contra mudanças nas rotas dos coletivos, iniciadas desde o início do ano pela prefeitura. Os passageiros alegam que, com as alterações, agora precisam pegar dois ou até três ônibus, quando antes era necessária apenas uma condução. O ato ocorreu nas escadarias da Câmara Municipal, na Cinelândia, no centro da cidade.

"Estamos reivindicando a volta das linhas de ônibus aos trajetos originais. Somos contra a racionalização imposta pela prefeitura. As pessoas ficaram sem ônibus. Há lugares na cidade que não são mais cobertos por ônibus, pois houve várias linhas cortadas. As pessoas são obrigadas a fazer baldeação, o que é mais difícil para pessoas idosas ou deficientes físicos", protestou Luciana Guerra Malta, que criou o movimento Quero o Meu Ônibus de Volta.

"Esta questão atinge a toda população do Rio. Sem nos consultar, a prefeitura tomou uma decisão que só veio a beneficiar as empresas de ônibus", reclamou Jorge das Graças, que integra a Associação dos Moradores da Taquara. Segundo ele, agora são necessárias duas horas e quarenta cinco minutos para chegar ao centro da cidade.

"Este ato é contra a racionalização das linhas feita pela prefeitura. Já não havia ônibus e eles retiraram as únicas linhas de transporte direto. Hoje o trabalhador tem que fazer até três baldeações e tem demorado mais tempo no trajeto", disse o vereador Leonel Brizola Neto (PSOL), que participou do ato. O PSOL ingressou com uma ação no Ministério Público contra a racionalização das linhas e está aguardando decisão judicial sobre a questão.

"Trabalho na região portuária e agora preciso pegar dois ônibus. A viagem antes durava 25 minutos. Para quem mora no Leme [na orla de Copacabana] é ainda pior, pois precisa pegar três ônibus. Toda vez que você desce do ônibus, está sujeito a riscos e a intempéries, pois não há abrigos de ônibus em ruas importantes", disse Diana Levacov, moradora da zona sul.

Ajustes

A Secretaria Municipal de Transportes informou que, desde o início do projeto de racionalização das linhas da zona sul, estão sendo feitos ajustes operacionais nas novas rotas criadas e nas que tiveram seus trajetos alterados para melhorar o atendimento à população. "É importante ressaltar que muitos desses ajustes foram implementados a partir de sugestões de moradores feitas em reuniões com associações ou recebidas via ouvidoria", destacou a secretaria em nota.

Segundo o órgão, o sistema continua transportando cerca de um milhão de pessoas por dia com 40 linhas a menos, o que representa redução de 35% de tráfego na cidade. "Além da diminuição no tempo de viagem para os passageiros, há ganhos na organização do trânsito e das paradas de ônibus e redução na emissão de gases poluentes na cidade", alegou a secretaria.