Passageiros protestam contra mudanças nas linhas de ônibus do Rio

Vladimir Platonow

Da Agência Brasil, no Rio

Usuários das linhas de ônibus municipais do Rio de Janeiro realizaram um protesto nesta quinta-feira (28) contra mudanças nas rotas dos coletivos, iniciadas desde o início do ano pela prefeitura. Os passageiros alegam que, com as alterações, agora precisam pegar dois ou até três ônibus, quando antes era necessária apenas uma condução. O ato ocorreu nas escadarias da Câmara Municipal, na Cinelândia, no centro da cidade.

"Estamos reivindicando a volta das linhas de ônibus aos trajetos originais. Somos contra a racionalização imposta pela prefeitura. As pessoas ficaram sem ônibus. Há lugares na cidade que não são mais cobertos por ônibus, pois houve várias linhas cortadas. As pessoas são obrigadas a fazer baldeação, o que é mais difícil para pessoas idosas ou deficientes físicos", protestou Luciana Guerra Malta, que criou o movimento Quero o Meu Ônibus de Volta.

"Esta questão atinge a toda população do Rio. Sem nos consultar, a prefeitura tomou uma decisão que só veio a beneficiar as empresas de ônibus", reclamou Jorge das Graças, que integra a Associação dos Moradores da Taquara. Segundo ele, agora são necessárias duas horas e quarenta cinco minutos para chegar ao centro da cidade.

"Este ato é contra a racionalização das linhas feita pela prefeitura. Já não havia ônibus e eles retiraram as únicas linhas de transporte direto. Hoje o trabalhador tem que fazer até três baldeações e tem demorado mais tempo no trajeto", disse o vereador Leonel Brizola Neto (PSOL), que participou do ato. O PSOL ingressou com uma ação no Ministério Público contra a racionalização das linhas e está aguardando decisão judicial sobre a questão.

"Trabalho na região portuária e agora preciso pegar dois ônibus. A viagem antes durava 25 minutos. Para quem mora no Leme [na orla de Copacabana] é ainda pior, pois precisa pegar três ônibus. Toda vez que você desce do ônibus, está sujeito a riscos e a intempéries, pois não há abrigos de ônibus em ruas importantes", disse Diana Levacov, moradora da zona sul.

Ajustes

A Secretaria Municipal de Transportes informou que, desde o início do projeto de racionalização das linhas da zona sul, estão sendo feitos ajustes operacionais nas novas rotas criadas e nas que tiveram seus trajetos alterados para melhorar o atendimento à população. "É importante ressaltar que muitos desses ajustes foram implementados a partir de sugestões de moradores feitas em reuniões com associações ou recebidas via ouvidoria", destacou a secretaria em nota.

Segundo o órgão, o sistema continua transportando cerca de um milhão de pessoas por dia com 40 linhas a menos, o que representa redução de 35% de tráfego na cidade. "Além da diminuição no tempo de viagem para os passageiros, há ganhos na organização do trânsito e das paradas de ônibus e redução na emissão de gases poluentes na cidade", alegou a secretaria.

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