Alunos da Uerj protestam em frente à casa de Dornelles por atraso em pagamentos

Flávia Villela - Repórter da Agencia Brasil

Professores da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) protestaram hoje (23) na porta da casa do governador em exercício, Francisco Dornelles, no Jardim Botânico, zona sul, contra o atraso nos pagamentos e de outros recursos para a instituição.

Na parte da manhã, o grupo chegou por volta das 6h30, fazendo muito barulho e jogou notas falsas de dinheiro quando Dornelles saiu da residência de carro. À tarde, servidores, professores, alunos e aposentados fizeram uma aula pública nas proximidades da casa de Dornelles abordando o que chamaram de "estado de calamidade na saúde e na educação no Rio de Janeiro". O ato terminou em frente à residência de Dornelles com faixas, cartazes e mais cédulas falsas.

Participantes dos atos da tarde, os estudantes de ciências sociais José Eduardo Sousa e Alexandre Silva questionaram os gastos do governo estadual com empreendimentos olímpicos que, para eles, não servirão para nada depois dos Jogos, e mirtilos para os banquetes do palácio do governo, enquanto a educação e a saúde estão esquecidas, sucateadas. "Não dá para culpar apenas a crise e cortar coisas essenciais", disse José.

"Não vamos deixar o governador em paz até ele priorizar a educação. Ainda faremos muito barulho", completou Alexandre.

Para o dia 29 está marcada nova assembleia, às 14h, para definir os rumos da greve, que já dura quase quatro meses. Servidores terceirizados foram demitidos e os pagamentos dos salários dos docentes e bolsista têm sido parcelados e pagos com atrasos.

O Hospital Universitário Pedro Ernesto (Hupe) tem recorrido à Justiça para garantir o repasse de verbas e funciona abaixo da capacidade.

Na terça-feira (21), a reitoria da Uerj questionou em seu site a Secretaria Estadual de Fazenda, que negou repasse de custeios para a universidade, ao afirmar já ter liberado a verba de R$ 79,1 milhões em custeio no ano de 2016 e repasse de 32% do orçamento.

Em nota, a reitoria rebateu dizendo  que cerca de 20% dos R$ 79,1 milhões repassados serviram para cobrir dívidas de 2015 (inscritas em restos a pagar) com bolsistas de graduação, residentes, cursos de mestrado e doutorado e contratados e 31,2% como parte do pagamento de bolsistas e contratados neste ano.

É importante ressaltar que parte dessa despesa com bolsistas e contratados, bem como outras despesas com alguns fornecedores do hospital universitário, foi paga com orçamento do Fundo Estadual de Saúde, e não do orçamento da Uerj, diz a nota.

Segundo a reitoria, o percentual pago pela Secretaria de Fazenda para pagar despesas feitas neste ano corresponde a 28,8% do orçamento da instituição aprovado pela Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) de aproximadamente R$ 281,8 milhões, sendo R$ 260,5 milhões relativos a despesas com pessoal.

A reitoria reafirmou que, em 2016 e nos meses finais de 2015, "nenhum centavo foi pago às empresas contratadas por licitação pública que prestam serviços no Campus Maracanã e nas demais 13 unidades externas da Uerj".

Por meio de sua assessoria de comunicação, o governador interino, Francisco Dornelles, disse que " o protesto é uma manifestação democrática e deve respeitar o direito de ir e vir de todos".

Dornelles não respondeu, entretanto, às críticas feitas ao governo, nem às reivindicações dos manifestantes, e não comentou a greve.

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