Diego Herculano/AFP

Violência no Rio

App de ONG aponta Baixada e Alemão como regiões mais violentas do Rio

Douglas Corrêa

  • Reprodução/Facebook

    Marcas de tiro no muro da escola estadual Caic Theophilo de Souza Pinto, no Complexo do Alemão, ocupada por uma UPP

    Marcas de tiro no muro da escola estadual Caic Theophilo de Souza Pinto, no Complexo do Alemão, ocupada por uma UPP

O aplicativo Fogo Cruzado, lançado no último dia 5 pela Anistia Internacional, recebeu mais de 400 notificações relatando tiroteios e/ou disparos de arma de fogo na região metropolitana do Rio de Janeiro. A Anistia divulga nesta quarta-feira (13) o primeiro balanço semanal do Fogo Cruzado, com a consolidação das informações recebidas ao longo dos últimos sete dias.

De acordo com o documento, os municípios de Duque de Caxias e São João de Meriti, na Baixada Fluminense, e o Complexo do Alemão, na zona norte do Rio, foram as regiões onde ocorreram mais troca de tiros com mais intensidade nos últimos dias.

Além das notificações compartilhadas em forma de colaboração pelos usuários, o balanço semanal inclui ainda dados coletados via imprensa e canais da própria polícia, como os boletins diários publicados no site da Polícia Militar do Estado. Cerca de 15 mil pessoas já fizeram o download gratuito do aplicativo nas plataformas Android e iOS.

De acordo com a coordenadora da campanha Jovem Negro Vivo, Rebeca Lerer, faltando poucas semanas para o início da Olimpíada no Rio, a imediata adesão da população carioca ao aplicativo reforça a urgência de enfrentar essa situação com uma política de segurança pública que, de fato, respeite os direitos humanos.

Segundo Rebeca, "o aplicativo começa a desenhar a realidade que afeta centenas de milhares de moradores do Rio de Janeiro: numerosos e seguidos tiroteios e disparos de armas de fogo. O mapa colaborativo confirma que essas ocorrências são mais frequentes e fatais nas favelas que sofrem com a criminalização da pobreza e com a lógica de guerra imposta pelo Estado".

O relatório da semana inicial de interatividade, com notificações registradas até as 21h de ontem (12), mostra que regiões como Duque de Caxias, São João de Meriti e Complexo do Alemão foram especialmente atingidas pela violência armada. No Alemão, foram notificados tiroteios em cinco dos últimos sete dias. Já quem vive em Duque de Caxias notificou tiroteios diários no período.

Do total de notificações enviadas por usuários, cerca de 36% não puderam ser aproveitadas por serem repetidas, incompletas ou relatarem ocorrências em cidades fora da atual área de cobertura do aplicativo. Assim, foram registradas 265 notificações no mapa, das quais 24 apontaram vítimas fatais, 20 indicaram feridos e 51 registraram ocorrência de operação policial. Todas as notificações enviadas por usuários são moderadas antes da postagem no mapa online.

De acordo com a gestora de dados do aplicativo Fogo Cruzado, Cecília Oliveira, ele não é um serviço de alerta em tempo real. As postagens são moderadas e cruzadas com outros dados para produzir um mapa colaborativo que traz informações antes inacessíveis sobre violência armada no dia a dia.

A Anistia Internacional programou para o dia 2 de agosto a publicação do primeiro relatório mensal a partir das informações reunidas pelo aplicativo, revelando o contexto de violência armada na cidade pré-olímpica. A ideia é divulgar periodicamente os dados do Fogo Cruzado até dezembro, quando será avaliada a possibilidade de expandir a cobertura da ferramenta para outras cidades e regiões brasileiras. Além dos boletins semanais, relatórios mensais e trimestrais trarão informações adicionais sobre o impacto da violência armada em serviços da cidade como transporte e funcionamento de escolas.

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