Chuva forte deixa 160 desabrigados em Francisco Morato

Fernanda Cruz - Repórter da Agência Brasil

Francisco Morato - Em março, chuvas fortes provocaram deslizamentos e alagamentos de residências e vias Foto: Prefeitura de Francisco Morato

A forte chuva que atingiu a cidade de Francisco Morato, na grande São Paulo, deixou 160 pessoas desabrigadas. A água e a lama invadiram 40 residências e diversas lojas, causando transtorno e prejuízos para comerciantes. A chuva começou às 16h de ontem (24) e durou cerca de uma hora.

No centro do município, Gertrudes Setuval, dona de uma loja de cosméticos na Avenida Prefeito Cassiano Gonçalves Passos, contabilizava os prejuízos na manhã de hoje (25). Ela e as funcionárias passaram a noite limpando o local e recuperando produtos que ficaram molhados. A comporta instalada para segurar alagamentos do córrego em frente à loja não aguentou a força da água.

"Graças a Deus, a chuva parou. Se tivesse chovido mais, ia ter bastante estrago. A gente subiu as mercadorias, os produtos de plástico e vidro, foram o que deu para recuperar", disse ela. "Há cinco anos, perdi mais de R$ 15 mil em mercadoria porque não deu tempo de levantar a comporta. A água foi entrando e perdemos muita coisa. Ficamos com água na cintura e boiava mercadoria", contou.

De acordo com Ronaldo Benedicto, coordenador de gabinete da prefeitura, foram registrados 10 pontos de alagamentos em vários bairros, além do centro. "Veio muita água. É uma cidade em declive. Como o volume de água é muito grande, as bocas de lobo não suportam. Como acontece em várias cidades, como acontece em São Paulo. Nas casas que estão em um nível baixo, a água acaba invadindo", disse.

Prevenção

Segundo ele, a prefeitura tem 150 funcionários trabalhando na limpeza da cidade, nesta terça-feira. O município ofereceu cestas básicas, roupas e aluguel social aos desabrigados. Segundo Ronaldo, a administração municipal tem atuado na prevenção de enchentes por meio de obras de drenagens e da instalação de um piscinão.

Apesar das obras, moradores reclamam do descaso do poder público. Mineia da Silva Batista, dona de um restaurante que também foi afetado pela chuva, diz que pouca coisa mudou em um ano. "Na última enchente, há um ano, o muro [de contenção do córrego] caiu e ninguém faz nada. Ontem, [o local] foi o primeiro a transbordar e encheu completamente aqui. Esse rio está todo entupido, é sujeira, é mato, é terra. Ninguém faz nada", disse.

A comerciante está há 10 anos no local e já vivenciou três enchentes. "Todas as lojas aqui têm comportas. A gente já sabe que, toda vez que tem enchente, tem que tirar tudo da tomada. Da última vez, a geladeira encheu de lama. A gente lavou, mas não perdeu [o eletrodoméstico]".

Segundo a Defesa Civil, além dos prejuízos aos comerciantes, a chuva provocou também queda de árvores e de muros, além do transbordamento de córrego e alagamento de vias e residências. O bairro mais afetado foi o Jardim Sílvia.

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