Com muita renda e cetim, bloco Babydoll de Nylon reúne milhares de brasilienses

Mariana Jungmann - Repórter da Agência Brasil

Foliões festejam o carnaval no Bloco Babydoll de NylonMarcelo Camargo/Agência Brasil

Renda, cetim e poliéster são materiais obrigatórios nas fantasias dos foliões que foram hoje (25) ao Babydoll de Nylon, um dos blocos mais aguardados do carnaval brasiliense. Inicialmente, as camisolas e robes de seda eram a vestimenta apenas dos homens que se reuniam em uma quadra comercial da cidade ao som da música Babydoll de Nylon, composição de Robertinho do Recife e Caetano Veloso que virou o hino no bloco. Hoje, no entanto, também é comum ver as mulheres vestidas com roupas de dormir para pular carnaval à tarde e noite adentro.

Cerca de 100 mil pessoas devem passar pelo Babydoll de Nylon neste sábado de carnaval, segundo a Polícia Militar, o que faz do bloco um dos maiores de Brasília, apesar da pouca idade. Criado em 2011, o primeiro desfile teve 80 pessoas. Em 2013, chegou a 50 mil e no ano passado juntou quase 65 mil fãs de babydoll.

Com o crescimento explosivo do bloco, foi necessário trocar de lugar. "Saíamos no balão da 201 Sul, mas aí tivemos que mudar para o maior balão de Brasília, que é a Praça do Cruzeiro", explica um dos fundadores do bloco, Marcus Vinícius Leite. Balão é como são conhecidas as rotatórias em Brasília e a Praça do Cruzeiro fica no Eixo Monumental, numa região não residencial e com espaço bastante amplo para receber um público desse porte.

Foliões festejam o carnaval no Bloco Babydoll de Nylon Marcelo Camargo/Agência Brasil

A mudança de local não foi a única necessária para garantir uma folia "saudável", segundo Leite. O bloco é gratuito e totalmente aberto ao público, mas é preciso passar por uma revista na entrada para garantir que nenhum folião levará garrafas de vidro e afins. "A gente sempre prezou pela brincadeira e um objeto cortante pode ser ruim para o bloco."

A preocupação da polícia e dos socorristas destacados para atender ao público do bloco é outra. As garrafas e qualquer outro objeto contundente são as primeiras utilizadas em caso de brigas. E elas estão entre as ocorrências mais comuns no carnaval, ao lado do excesso de álcool e drogas.

"Por volta das 18h às 19h é o horário do pico de atendimentos", conta o condutor socorrista de ambulância Célio Lima, que já trabalhou no Babydoll de Nylon em outros anos.

Outro fator que preocupa a Polícia Militar são os furtos a pedestres e veículos, comuns em eventos de grande porte. De acordo com o tenente-coronel Fábio Augusto, que comanda o efetivo de 400 policiais destacados para a segurança no bloco, esse tipo de ocorrência ocorre mais no entorno da folia, onde as pessoas estacionam.

"Esse ano concentramos o efetivo nessas áreas para tentar coibir. Evidente que como a área é muito grande, fica mais difícil", explica. "A polícia teve perda grande de efetivo recentemente e com esse novo sistema de carnaval que Brasília adotou, investindo nos blocos, dificultou. A tente teve que condensar e dividir o efetivo para dar conta de todos, mas a segurança estará garantida."

Foliões

Por ser um bloco novo, o Babydoll de Nylon reúne público mais jovem. Os amigos Leonardo de Lucas Ferreira, 16 anos, Pedro Jordy, 17, e Fernanda Barbosa, 14, foram para o bloco pela primeira vez este ano.

"A gente escolheu o Babydoll por causa da zoeira", conta Leonardo. "Carnaval é bagunça", completa.

A oportunidade de se vestir de mulher também conta. Os meninos afirmam que não sairiam do mesmo jeito em outros blocos, mas queriam experimentar a brincadeira. "Porque é diferente, a gente queria se mostrar um pouco", diz Pedro.

Foliões festejam o carnaval no Bloco Babydoll de Nylon Marcelo Camargo/Agência Brasil

Os irmãos Tamna Batista, 19 anos, e Tarsis Batista, 17, também foram ao bloco pela primeira vez, mas ainda pretendiam seguira para o Galinho de Brasília depois. "Eu vim conhecer, muita gente falou da animação, então fiquei curiosa."

Vestido com camisola clara e shorts, Tarsis foi acompanha a irmã, mas disse que mudaria de roupa na hora de seguir para o outro bloco. "O Galinho é mais tradicional, ninguém vai assim", disse.

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