Presidente do BC diz que reforma da Previdência é necessária para reduzir juros

Alana Gandra - Repórter da Agência Brasil

O presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, disse hoje (24), no Rio de Janeiro, que as reformas estruturais, incluindo a reforma da Previdência, são importantes para a redução dos juros e o crescimento econômico. Ao falar na aula inaugural do curso de graduação em economia da Escola Brasileira de Economia e Finanças da Fundação Getulio Vargas (EPGE-FGV), Goldfajn disse que a política econômica em curso no país está na direção certa e que há sinais de estabilização que podem levar à recuperação da economia. Para Goldfajn, a reforma da Previdência poderá ajudar o país a alcançar uma taxa de juros neutra, que incentive o crescimento da economia sem gerar inflação.

O presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, disse que as reformas estruturais  são importantes para a redução dos juros e o crescimento econômicoJosé Cruz/Arquivo/ Agência Brasil

A projeção para o último trimestre deste ano, em comparação aos últimos três meses do ano passado, indicam crescimento do Produto Interno Bruto (PIB, soma das riquezas produzidas em um país) perto de 2,5%, com expectativa de expansão maior em 2018. "De fato, [a economia] está andando ", disse. "A gente não está mais andando para trás. As políticas não estão gerando distorções. Estamos no caminho certo".

O papel do Banco Central é trazer a inflação para a meta definida pelo governo, de 4,5% atualmente, que a instituição procura atingir usando seus instrumentos clássicos, como a redução ou aumento da taxa básica de juros Selic no curto prazo. Nesse sentido, Goldfajn disse que a ancoragem de expectativas é relevante. "Não adianta olhar para o passado. A política monetária tem que olhar para a inflação para a frente", disse.

Goldfajn admitiu que no meio do ano se poderá ter no país uma inflação mais baixa que a meta, mas depois deve subir novamente. "A inflação hoje está ancorada. Em consequência disso, pode-se começar o processo de flexibilização da política monetária, que significa baixar os juros", disse o presidente do BC, explicando que esse processo "é muito diferente do que flexibilizar e tentar ancorar depois".

Taxa de juro neutra

Ilan Goldfajn disse não saber para aonde vai a taxa de juros neutra estrutural da economia, porque isso depende de outros fatores, de fazer melhor as coisas em vários aspectos da economia. O avanço para juros menores depende, segundo ele, da realização das reformas, de ajustes, de redução do risco país, da eficiência do Banco Central e do próprio sistema financeiro.

O presidente do BC disse que está se buscando crescimento da produtividade, perspectivas boas para a política fiscal, eficiência na alocação de recursos via sistema financeiro, entre outros elementos. Ele sustentou que as reformas, inclusive a da Previdência, são relevantes para a taxa neutra estrutural de juro da economia, o que vai deixar a inflação na meta por um longo prazo.

Goldfajn reafirmou que a política monetária está fazendo o seu papel, mas depende das reformas macroeconômicas que reduzem o risco do país e estimulam o crescimento e das reformas microeconômicas, que melhoram o ambiente de negócios, muitas delas ligadas ao mercado de crédito. Para ele, outro ponto essencial para o Brasil voltar a crescer é investir.

O Banco Central construiu uma agenda BC+ que tem dois eixos. Um deles é a meta da inflação; o outro, é o sistema financeiro e sua eficiência. Goldfajn disse que essa agenda para os próximos anos tem alguns pilares. O primeiro é a cidadania financeira, que visa incorporar as pessoas que entraram no mercado bancário por meio da educação financeira. O segundo aborda uma legislação mais moderna, que inclui a lei de autonomia do BC, por exemplo.

Para que o sistema financeiro seja mais eficiente, Goldfajn disse que há necessidade de reduzir custos. "É um pilar de crédito mais barato que tem a ver não com a taxa de juros do Banco Central, mas com a taxa de juro bancária, para que o crédito ao consumidor e a empresas diminua".

 

 

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