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Cidade gaúcha sedia maior encontro de economia solidária da América Latina

Daniel Isaia - Correspondente da Agência Brasil

07/07/2017 06h11

O maior evento de economia solidária da América Latina começa nesta sexta-feira (7) e vai até domingo (9) em Santa Maria, na região central do Rio Grande do Sul. A Feira Internacional do Cooperativismo (Feicoop) chega à 24ª edição com a expectativa de bom público: a organização estima que 250 mil pessoas de todas as regiões do Brasil e de mais 16 países participem do encontro este ano. A realização da Feicoop é resultado do trabalho de diversas entidades e movimentos da sociedade. A organização central é do projeto Esperança/Cooesperança, ligado à Arquidiocese de Santa Maria, que começou há 30 anos e atualmente é coordenado pela irmã Lourdes Dill. Ela atribui o sucesso da feira ao modelo de desenvolvimento que é promovido no evento. "Estamos cansados do modelo capitalista excludente, que trata as pessoas como descartáveis, que concentra riqueza e poder nas mãos de poucos e deixa a maioria à margem", ressaltou a religiosa. "Na economia solidária todos têm vez e voz. Quem põe o pé na feira entra num clima de igualdade, de solidariedade e de fraternidade". As quase duas décadas e meia de Feicoop deram ao evento um formato identificado com a valorização da natureza, da vida saudável, da cooperação e do coletivo. Por isso, na feira não é permitido fumar. Também não é permitido comercializar refrigerantes, bebidas alcoólicas e, principalmente, produtos com agrotóxicos. Para a organizadora, essas medidas também ajudam a garantir a segurança. Além da comercialização de produtos da economia solidária, a Feicoop promove seminários e trocas de informações para que os participantes saiam do encontro em melhores condições de administrar seus negócios. "É por isso que dizemos que é uma feira 'aprendente' e 'ensinante'. Ela fortalece os processos organizacionais, participativos, solidários e transformadores", afirmou a irmã Lourdes. Investimentos A Feicoop sofre anualmente com a falta de recursos para ser realizada. A organização da feira tenta compensar essa deficiência com o trabalho das comissões de voluntários do projeto Esperança/Cooesperança e das entidades, além da participação da Prefeitura Municipal de Santa Maria. "O nosso desafio é fortalecer as políticas públicas para que possamos fazer uma feira mais tranquila, e não começar tudo do zero todo ano, pedindo recursos", explicou a irmã. Ela ressaltou que esse desafio será ainda maior para o ano que vem, na 25ª edição, quando a Feicoop comemora o Jubileu de Prata. A religiosa destacou também que boa parte do público e dos expositores faz parte da população mais humilde. Por isso, ela acredita que a feira também precisaria de um investimento para auxiliar essas pessoas a viajar ao interior gaúcho. "As pessoas querem vir a Santa Maria. Então, faz promoções para conseguir o dinheiro", contou Lourdes Dill. "Aqui é o ponto de encontro dos movimentos sociais, da economia solidária, das cooperativas, dos gestores públicos, das redes", concluiu.