Não chove há 44 dias em São Paulo

Sem chuva há 44 dias, os moradores da cidade de São Paulo estão enfrentando o segundo mês de julho mais seco desde 1995, segundo a série histórica de acompanhamento do clima do Centro de Gerenciamento de Emergências (CGE) da prefeitura de São Paulo. De acordo com o sistema de monitoramento do órgão, a última vez que choveu na capital paulista foi em 13 de junho com volume de 13,1 milímetros (mm).

De lá para cá, só ocorreu garoa nos dias 20 e 21 de junho e também nos três primeiros dias deste mês, resultando em um acumulado médio pluviométrico de apenas 0,3 milímetros, bem inferior ao esperado (46,6 mm). Este baixo volume só foi superado pela marca de 2008, quando nenhuma gota foi registrada em todo o mês de julho.

Já o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), que tem uma metodologia de acompanhamento diferente do CGE, indica que o acumulado de chuva em julho até agora é de 0,8 mm ante 6,4 mm, em julho do ano passado.

Apesar da diferença numérica, o fato é que o tempo está muito seco e deve continuar assim, segundo a meteorologista Neide Oliveira, do Inmet: "É normal que isto ocorra nesta época do ano e as chuvas mais expressivas só devem voltar lá pelo mês de setembro".

Segundo Neide, um sistema de alta pressão tem impedido a formação de nuvens. As frentes frias chegam ao Rio Grande do Sul e Uruguai, mas acabam indo para o oceano, deixando só o ar frio e seco no Sudeste e Centro-Oeste. A umidade relativa do ar tem ficado em torno de 30% nessas regiões, incluindo a cidade de São Paulo.

Efeitos da estiagem

Nos últimos dias, o inverno na capital paulista tem sido de tempo mais frio durante o final da noite e madrugada e predomínio de sol com elevação da temperatura ao longo dia. Os medidores de rua da prefeitura registraram hoje (27) média de 12,2 graus Celsius (ºC) no início da manhã e a previsão é que atinjam máxima de 24°C.

Com a estiagem prolongada, as partículas de poluentes em suspensão no ar formam uma espécie de cortina de tom cinza sobre os prédios da região central de São Paulo. Vista de longe, a cena chega a ser atraente pela formação de matizes que surgem aos primeiros raios de sol. Mas a beleza esconde uma situação de risco à população.

"Esse tempo seco prejudica a saúde das pessoas, principalmente, idosos e crianças, provocando mais problemas respiratórios, além de levar a um aumento de casos de incêndio", alerta Adilson Nazário, técnico em meteorologia do CGE. Segundo ele, embora tenha ocorrido bloqueios para o avanço das frentes frias, existe a possibilidade de algum chuvisco, no começo de agosto.

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