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Dilma admite demora do governo em perceber gravidade da crise

A presidente Dilma Rousseff dá entrevista em seu gabinete no Palácio do Planalto - Pedro Ladeira/Folhapress
A presidente Dilma Rousseff dá entrevista em seu gabinete no Palácio do Planalto Imagem: Pedro Ladeira/Folhapress

Em São Paulo

25/08/2015 07h30

A presidente Dilma Rousseff deflagrou nesta segunda-feira (24) a reforma administrativa de seu governo, anunciando a decisão de cortar dez ministérios, sem especificar quais, além de reduzir cerca de mil dos 22,5 mil cargos comissionados e extinguir secretarias ministeriais que se sobreponham, entre outras propostas.

Em entrevista ao "Estado de São Paulo" e aos jornais "O Globo" e "Folha de S.Paulo", no Palácio do Planalto, a convite da própria presidente, Dilma justificou na tarde de ontem a decisão - proposta por seus adversários e criticada por ela durante a campanha - como parte dos movimentos para melhorar a gestão do país. "Vamos passar os ministérios a limpo", disse ela.

Na entrevista, Dilma reconheceu que o governo demorou a perceber a gravidade da situação econômica, especialmente no exterior, e que, nesse processo, "levou muitos sustos", citando a queda dos preços internacionais do petróleo e das commodities. E avisou que não é possível evitar as discussões sobre reforma para racionalizar a Previdência Social. "Nós não queremos a Grécia. Queremos?"

Em dificuldade na relação com sua base de apoio no Congresso, Dilma elogiou o vice-presidente Michel Temer, que vai diminuir sua participação na articulação política. "Ele tem sido de extrema lealdade comigo. E o resultado da primeira fase de sua articulação foi um sucesso", afirmou.

Dilma também manifestou preocupação com o desemprego a inflação, mas ressaltou que a alta dos preços está em "trajetória de queda". "Todo nosso esforço, junto com o reequilíbrio das contas públicas, foi sinalizar que o país não estava parado, dando incentivos ao investimento", afirmou.

Ao comentar os casos de corrupção no governo, a presidente disse ter sido "surpreendida" ao saber que pessoas ligadas ao PT estavam envolvidas em irregularidades na Petrobras. "Lamento profundamente. Sou a favor de uma coisa que Márcio Thomaz Bastos [advogado e ex-ministro morto em 2014] dizia. Não espere que sejam as pessoas a fonte da virtude. Tem que ser as instituições. Elas é que precisam ter mecanismos de controle. Quem pode colocar luz sobre um processo de corrupção é a maturidade institucional do país". As informações são do jornal "O Estado de S. Paulo".