Alan Marques/Folhapress

Processo de impeachment

Lula: acham que estou incitando a luta de classes; não quero dividir a sociedade

Antonio Pita

No Rio

O ex-presidente Lula afirmou que não quer incitar a luta de classes no país ou dividir a sociedade. Em discurso a militantes contrários ao impeachment da presidente Dilma nesta segunda-feira (11) no Rio, o ex-presidente afirmou que defender o governo é defender a "honra das mulheres brasileiras" e criticou os ataques à presidente.

"Acham que quero incitar a luta de classes. Não quero dividir a sociedade. O país não pode ser dividido entre aqueles que se acham mais brasileiros porque usam verde e amarelo. Não se mede o brasileiro pela cor da camisa, mas pela vergonha na cara e pelo trabalho que fazemos", afirmou o ex-presidente. "Vejo que eles têm ódio de mim, vejo como eles me tratam. Mas nesse país ninguém governou o país para todos mais do que eu", completou.

O ex-presidente comparou os movimentos contra a presidente ao fascismo e ao nazismo. "Eles não gostam de política, negam a política. Em São Paulo, não deixaram o Alckmin e o Aécio falarem. Quem fala por eles é o Bolsonaro. Foi assim que nasceu o nazismo e o fascismo. Aqui, aprendemos a gostar de democracia, pois somente a democracia permite que um cara como eu chegue a presidência".

Lula ainda afirmou que solicitaram a ele que usasse coletes a prova de balas em manifestações na avenida Paulista. "No dia em que eu estiver medo, eu prefiro não sair de casa. Se quiserem me derrotar, vão ter que aprender que nós não saímos nas ruas apenas aos domingos, mas de segunda a sexta, o ano inteiro", completou.

Ele classificou de "injusta" a campanha contra a presidente Dilma Rousseff. "Eu aguento muita bordoada, mas não é justo eles fazem com a Dilma. A gente não está defendendo apenas o direito de uma mulher ser presidente, estamos defendendo a honra das mulheres brasileiras que sempre foram tratadas como objeto".

Lula também afirmou que a "elite brasileira nunca se preocupou que o pobre estudasse". Segundo ele, os governos do PT mudaram a 'lógica'.

"Para eles, o pobre nasceu pra ser faxineiro, eles que nasceram pra ser engenheiros. Falo com orgulho, só tenho diploma primário e o curso do Senai. Mas vou passar para a história como o presidente que mais fez universidades nesse país. Isso incomoda. Como pode esse peão analfabeto ter mais título de doutor honoris causa que o sociólogo?", alfinetou Lula, sem citar nominalmente o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

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