Alckmin investe sobre reduto do PT em São Paulo

Em São Paulo

  • Leonardo Nones/Divulgação/SBT

    Alckmin trabalha agora para consolidar sua influência nas cidades do ABC Paulista

    Alckmin trabalha agora para consolidar sua influência nas cidades do ABC Paulista

Depois de atuar diretamente para eleger o tucano João Doria no primeiro turno em São Paulo, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) trabalha agora para consolidar sua influência nas cidades do ABC Paulista, que somam cerca de três milhões de pessoas e durante anos foram chamadas de "cinturão vermelho" por causa da influência do PT.

Definidas como prioritárias no segundo turno por auxiliares de Alckmin, as campanhas dos candidatos afinados com o Palácio dos Bandeirantes em São Bernardo do Campo, Santo André, Diadema e Mauá adotaram o antipetismo como mote e receberam reforços. Nas demais cidades da região - São Caetano do Sul, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra -, os petistas e seus aliados já foram derrotados no primeiro turno.

"No ABC paulista a nossa maior vitória será acabar com o cinturão vermelho. O governador pediu atenção especial na região, que é nossa prioridade número 1", disse o deputado estadual Pedro Tobias, presidente do PSDB paulista. Em 2012, o PT conseguiu vencer em São Bernardo, Santo André e Diadema. Agora, só disputa nestas duas últimas cidades.

O caso mais emblemático acontece em São Bernardo, berço do PT e do lulismo, onde o tucano Orlando Morando, deputado estadual, transformou sua campanha em uma "franquia" de Doria. Além de colar sua imagem no empresário e recebê-lo ontem para um evento de campanha na cidade, Morando adotou o jingle e o slogan do prefeito eleito.

O "Acelera São Paulo" foi substituído por "Acelera São Bernardo" e a música "João trabalhador" por "Orlando trabalhador". A estratégia, porém, não foi um plágio, já que os autores foram consultados e assinaram, a pedido de Doria, um documento autorizando a reprodução. Ontem, ao lado de Morando, o empresário foi tratado como uma estrela do partido.

Na semana passada o próprio Alckmin esteve na cidade para uma agenda oficial e aproveitou para tomar um café com Morando na hora do almoço. O apoio maciço dos tucanos é considerado arma valiosa neste segundo turno na disputa com o deputado federal Alex Manente, do PPS, sigla que orbita na área de influência do governador.

Morando faz campanha na cidade "acusando" o adversário de ter recebido apoio oficial do PT no segundo turno. "Meu concorrente foi aliado forte do PT e hoje tem o apoio do partido. Então é um Palmeiras e Corinthians. Eu sou o Palmeiras", disse Morando ao Estado.

Manente, por sua vez, nega que tenha recebido apoio dos petistas. "Essa tentativa é uma tentativa deles de anular o erro de levar o presidente do PCdoB, Orlando Silva, para o primeiro ato de campanha deles no segundo turno", rebate o candidato do PPS.

Disputa direta

Em Santo André, o candidato do PSDB, Paulo Serra, enfrenta o atual prefeito petista, Carlos Grana, de quem ele foi secretário até o fim do ano passado, quando ainda estava filiado ao PSD.

Serra diz que voltou ao partido três anos depois a pedido de Alckmin, com a missão de vencer a disputa pela prefeitura e reestruturar a legenda na cidade.

"Temos de reconhecer que sofremos uma derrota no Estado e no Brasil, mas essa postura de levar o Doria à região representa exportar para o ABC o vazio, o supérfluo", diz o deputado federal Paulo Teixeira, da executiva nacional do PT. As informações são do jornal "O Estado de S. Paulo".

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