Família sofre com falta de informações sobre brasileiro preso na Rússia

Em São Paulo

  • Arquivo pessoal

A família do pesquisador holístico Eduardo Chianca Rocha, de 66 anos, preso na Rússia desde o dia 31 de agosto, sofre com a falta de informações sobre a situação do brasileiro. Chianca foi detido por porte de cerca de oito litros de chá de ayahuasca ainda no aeroporto de Domodedovo, em Moscou, enquanto retirava suas bagagens da esteira. Foi neste momento que Patrícia Alves Junqueira, companheira de Eduardo, teve a última conversa direta com ele.

"Meu último contato foi quando ele ainda estava no aeroporto, quando soube que ficaria detido e me pediu para cancelar os cursos e palestras nos outros países. Depois disso, soube dele somente pelo consulado brasileiro na Rússia e pelo advogado que contratamos. Nenhum amigo nosso no país tem permissão para ver o Eduardo, nem falar com ele", conta Patrícia.

Nesta quinta-feira (20), Luiz Henrique Moreira Costa, funcionário da embaixada brasileira na Rússia, Eduard Usinov, advogado local contratado pela família, e um tradutor foram visitar Chianca na casa de detenção. Na ocasião, Eduardo se mostrou animado pela conversa sobre seu caso entre os presidentes Michel Temer, do Brasil, e Vladimir Putin, da Rússia, no encontro dos Brics, em Goa, na Índia.

Eduardo já foi transferido para quatro prisões diferentes neste período detido. A estratégia da defesa do brasileiro é colocá-lo em prisão domiciliar devido à sua idade, 66 anos, e seu estado de saúde atual. Patrícia descreve Chianca como uma pessoa muito saudável, contudo, desde que ficou retido no aeroporto de Moscou, ele já teria sofrido duas mudanças de pressão arterial.

"Como eu gostaria de poder ouvir a voz do Eduardo e saber dele próprio como ele está. Mas o que desejamos mesmo é ele ao vivo, de volta, ajudando as pessoas", deseja a companheira. Após a Rússia, Eduardo Chianca estava programado para viajar para Kiev, na Ucrânia, Genebra, na Suíça, uma cidade nos arredores de Amsterdã, na Holanda, e terminaria em Barcelona, na Espanha. "Era para ele ter voltado no último dia 17", completa Patrícia.

A alegação dos russos para manter a detenção é a presença de 1,5 kg de Dimetiltriptamina, também conhecido como DMT, na bebida transportada por Eduardo. Essa substância, presente no chá de ayahuasca e que pode ser sintetizada para outras drogas, é proibida na Rússia.

Em nota, o Itamaraty se limitou a dizer que "o senhor Eduardo Chianca continua detido, aguardando a conclusão das investigações. A embaixada brasileira mantém constante contato com a família do nacional e seu advogado na Rússia". A representação russa no País não soube informar a situação do brasileiro.

Frequências de Luz

O brasileiro ministra palestras e cursos sobre "Frequências de Luz", prática de cura espiritual co-criada por ele em 2006. O chá de ayahuasca, consumido durante rituais indígenas da região amazônica há cerca de dois milênios, também é usado por Eduardo em cerimônias específicas. No entanto, segundo Patrícia, é independente da técnica disseminada por ele. "A ayahuasca é uma ferramenta de expansão da consciência de situação específica do trabalho."

Ex-engenheiro eletrônico, Chianca chegou a exercer cargo de diretoria na IBM no Brasil. Ao final década de 1990, ele se aprofundou em pesquisas de saúde espiritual e, em 2006, teria recebido a técnica de "Frequências de Luz". Desde então, dá cursos e forma terapeutas especializados neste procedimento no Brasil e no mundo.

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