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Interdisciplinar 'de verdade', prova da Unicamp cita Mariana

20/11/2016 22h15

São Paulo - O vestibulando que prestou a primeira fase do processo seletivo para a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) neste domingo, 20, encontrou uma prova bem elaborada e verdadeiramente interdisciplinar. Esta foi a avaliação do professor Célio Tasinafo, diretor pedagógico do cursinho Oficina do Estudante, de Campinas.

"Foi uma prova muito bem feita, muito melhor do que a do ano passado. Fiquei positivamente surpreso, porque esperava uma prova meia-boca como nos anos anteriores, e não foi", comenta ele. "A prova foi bem elaborada e cheia de questões interdisciplinares verdadeiramente interdisciplinares, destas que o aluno realmente precisa mobilizar conhecimento de duas disciplinas para resolver a questão."

Tasinafo cita dois exemplos. Em determinada questão, um poema contemporâneo do português João Paiva - conhecido por escrever versos a partir de temas científicos - serviu para o aluno tratar tanto de Química quanto de Literatura. A tragédia ambiental de Mariana, que ocorreu há um ano, também foi mote de uma questão interdisciplinar, na qual os vestibulandos precisavam recorrer a conhecimentos de Geografia e de Química.

"Para o aluno, foi uma prova certamente mais difícil", completa Tasinafo.

"A Unicamp acertou a mão neste ano", avalia a professora Vera Lúcia da Costa Anuntes, coordenadora do Colégio e Curso Objetivo. "Nos últimos anos, eles têm apresentado uma evolução da prova. Mas este foi o melhor ano. O exame foi de ótimo nível, com questões abrangentes e sem gerar muitas dúvidas."

Ela concorda que a prova "foi mais difícil do que no ano passado". "Mas isso significa que vai conseguir selecionar melhor os candidatos", pontua.

Para Vera, a única disciplina que não apresentou muitas inovações em suas questões foi Matemática. "Foi uma prova tradicional desta matéria, com resoluções simples", diz.

Humanas

Para o professor Marcelo Dias Carvalho, coordenador geral do Etapa, o aumento das questões interdisciplinares - de quatro, na prova do ano passado, para 12, no exame aplicado neste domingo - exigiu do aluno "uma capacidade mais conceitual".

De modo geral, ele avalia que as questões de Humanas foram as mais complexas do vestibular. "Geografia exibiu muito conteúdo. História cobrou uma leitura cuidadosa, com bom vocabulário, o que exige tempo do candidato. O mesmo posso dizer de Português", comenta.

Carvalho ainda lembra que os livros obrigatórios foram cobrados "de forma minuciosa". "A prova pedia informações específicas. O aluno precisava mesmo ter lido o livro, só com resumo não seria capaz de responder", diz.