Governo deve liberar R$ 7 bilhões em emendas para o Congresso

Em Brasília

  • André Dusek/Estadão Conteúdo

    Vista do plenário do Senado, no Congresso Nacional

    Vista do plenário do Senado, no Congresso Nacional

A dois dias do fim do ano, o governo tenta agradar a sua base aliada no Congresso e vai anunciar a liberação de emendas parlamentares. Interlocutores do presidente Michel Temer disseram à reportagem que o total a ser anunciado nesta quinta-feira (29) será de R$ 7,29 bilhões.

Deste total, R$ 6,45 bilhões correspondem a emendas impositivas e restos a pagar desde 2007 e outros R$ 840 milhões àquelas de bancada.

Os valores foram fechados na quarta-feira (28), mas podem sofrer alterações. As emendas são consideradas fundamentais na relação do Palácio do Planalto com o Congresso e, historicamente, o governo usa esse pagamento para facilitar a aprovação de projetos de seu interesse.

Embora tenha registrado taxa recorde de governismo na Câmara, com deputados seguindo orientação do Planalto em 88% das votações nominais, conforme levantamento do Estadão Dados, Temer sofreu alguns reveses no Congresso nos últimos dias.

O presidente decidiu acelerar o desembolso de verbas num momento em que vai precisar da base unida para votações importantes, como a reforma da Previdência.

A tentativa de criar uma agenda positiva ocorre após Temer vetar a decisão da Câmara de derrubar as contrapartidas que Estados precisam cumprir para a recuperação fiscal, no projeto de renegociação das dívidas.

Naquela ocasião, o Planalto sofreu uma derrota. Dias antes, o governo havia conseguido aprovar no Senado a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que limita os gastos públicos, mas obteve oito votos a menos em relação à primeira votação. Em público, no entanto, o Planalto não admite problemas com a base aliada.

Desde o ano passado, uma emenda constitucional tornou obrigatória a execução da maior parte das emendas individuais, mas há uma fatia em que a liberação fica a critério do governo.

Todas as emendas que serão pagas precisam ser inscritas no Orçamento do ano subsequente, o que provoca uma peregrinação de parlamentares ao Planalto e a ministérios nos últimos dias do ano. O prazo final para inscrição é sempre 31 de dezembro.

Bondades

Além da liberação das emendas, o governo anunciará hoje outras medidas, em uma espécie de "pacote de bondades". O Diário Oficial da União deve trazer a sanção do projeto que institui cotas nas universidades para deficientes, da lei sobre vigilância sanitária e também sobre o controle de medicamentos.

Em conversa com aliados, ontem, Temer disse que o governo conseguirá pagar, ainda, dívidas atrasadas com fornecedores.

O porta-voz Alexandre Parola será o encarregado de transmitir as ações do presidente neste fim de ano. Em conversas reservadas, ministros argumentam que todo o cuidado com a base aliada é pouco neste momento de agravamento da crise política e delações premiadas, no âmbito da Operação Lava Jato.

Foi para não comprar briga com o Centrão - grupo na Câmara que reúne 13 partidos e cerca de 200 deputados - que Temer adiou o anúncio do novo ministro da Secretaria de Governo.

No início do mês, o presidente havia convidado o líder do PSDB na Câmara, Antonio Imbassahy (BA), para a vaga antes ocupada por Geddel Vieira Lima - que caiu no rastro de denúncias de tráfico de influência na compra de um imóvel em Salvador.

O Centrão interpretou o gesto como uma manobra para ajudar a reeleição do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), na disputa que ocorrerá em fevereiro de 2017. Para evitar uma rebelião na base, Temer adiou a escolha.

As informações são do jornal "O Estado de S. Paulo".

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