Inquéritos baseados nas delações da Odebrecht não terão mais que 107 alvos

Breno Pires e Rafael Moraes Moura

Em Brasília

  • Pedro Ladeira/Folhapress

    Pedidos de inquéritos enviados por Janot (e) serão analisados por Fachin (d)

    Pedidos de inquéritos enviados por Janot (e) serão analisados por Fachin (d)

Ainda sigilosos, os 83 novos inquéritos pedidos pela Procuradoria-Geral da República (PGR) ao Supremo Tribunal Federal (STF) com base nas 78 delações da Odebrecht não terão mais do que 107 investigados. Como uma pessoa pode ser alvo de mais de um inquérito, ainda não é possível cravar o número exato de investigados, mas o acompanhamento dos processos no sistema do STF mostra que a soma não passará de 107.

Os processos ainda não estão nas mãos do ministro Edson Fachin, mas já passaram por duas etapas prévias: o protocolo e a autuação. Nesta quinta-feira (16), eles começaram a ser distribuídos, eletronicamente, ao ministro, relator dos processos relacionados à Operação Lava Jato no Supremo, mas ele só terá acesso aos arquivos quando a etapa de distribuição eletrônica estiver concluída. Segundo o STF informou hoje, isso deve acontecer na próxima segunda-feira (20).

Devido ao sigilo, no momento, nem mesmo as iniciais dos investigados estão presentes no sistema do Supremo.

A maioria dos inquéritos - 64 - tem um único investigado. São 16 inquéritos com 2 investigados. Há dois inquéritos com 3 investigados. O inquérito que tem mais investigados é o de número 4.437, com 5 alvos. Em último caso, se não houver repetições e todos os inquéritos envolverem pessoas diferentes, serão ao todo 107 alvos.

Estes números se referem apenas ao Supremo e não incluem os inquéritos que serão abertos em outras instâncias. A PGR não confirma o número exato de investigados.

Os 83 inquéritos são parte dos 320 pedidos que o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, enviou ao STF com base nas delações premiadas da Odebrecht. O procurador também pediu a retirada de sigilo de parte das revelações feitas pelos ex-funcionários da empreiteira baiana. Caberá a Fachin decidir quanto à retirada do sigilo. Não há prazo para isso.

O relator da Lava Jato no Supremo será "absolutamente criterioso" ao analisar os pedidos da PGR, segundo informaram fontes ao Broadcast Político, serviço de notícias em tempo real do Grupo Estado, após o envio da "segunda lista de Janot".

Não necessariamente todos os 83 inquéritos ficarão com o ministro Edson Fachin. Alguns podem ser redistribuídos para outros ministros, se considerado que não há conexão com a Lava Jato.

Possíveis citados

Embora a lista de Janot ainda esteja sob sigilo, alguns nomes de possíveis investigados já foram apurados pela imprensa. Segundo a Folha, entre os citados com foro privilegiado estão cinco ministros do governo Temer - Eliseu Padilha (PMDB), Moreira Franco (PMDB), Gilberto Kassab (PSD), Bruno Araújo (PSDB) e Aloysio Nunes Ferreira (PSDB) -, diversos senadores - entre eles Aécio Neves (PSDB), José Serra (PSDB), Edison Lobão (PMDB), Renan Calheiros (PMDB) e Romero Jucá (PMDB) - e os presidentes da Câmara, Rodrigo Maia (DEM), e do Senado, Eunício Oliveira (PMDB). Sem foro, estariam na mira, entre outras pessoas, os ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff.

Na quarta-feira (15), a Folha revelou outros nomes que poderiam estar na lista, entre eles os senadores Lindbergh Farias (PT), Jorge Viana (PT), Marta Suplicy (PMDB) e Lídice da Mata (PSB-BA), os deputados Marco Maia (PT), Andrés Sanchez (PT), Lúcio Vieira Lima (PMDB), José Carlos Aleluia (DEM) e Paes Landim (PTB) e os governadores Geraldo Alckmin (PSDB-SP), Luiz Fernando Pezão (PMDB-RJ), Fernando Pimentel (PT-MG), Tião Viana (PT-AC), Beto Richa (PSDB-PR) e Renan Filho (PMDB-AL).

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