Ministério Público vai investigar GCMs que fizeram vistoria na Cracolândia

Luiz Fernando Toledo

  • Zanone Fraissat/Folhapress

    27.ago.2015 - Aglomeração de barracos usados para uso e tráfico de crack na cracolândia, no centro de SP

    27.ago.2015 - Aglomeração de barracos usados para uso e tráfico de crack na cracolândia, no centro de SP

O Ministério Público de São Paulo (MPE) decidiu que vai instaurar um inquérito civil para investigar a atuação da Guarda Civil Metropolitana na Cracolândia, após a operação deste domingo, 21, que prendeu 38 traficantes na "feira de drogas" da região central.

O promotor Arthur Pinto Filho, da Promotoria de Saúde Pública, disse que recebeu denúncias de que os guardas estavam verificando pessoas que circulavam na região, inclusive fazendo revista a bolsas. "Isso não é trabalho da GCM. Vamos baixar um inquérito civil público junto à Defensoria Pública para colher provas de desvio de função e verificar se essa ordem partiu do Comando da Guarda, que será responsabilizado", disse.

O promotor se demonstrou decepcionado com a ação policial realizada na cracolândia no fim de semana, pois considera que a Prefeitura "fez tudo diferente do que havia prometido". Representantes do poder público municipal, do MPE, conselhos de Medicina e psicologia discutiam, desde março, a implementação do programa Redenção na região da Cracolândia. Uma das preocupações da promotoria era a menção expressa à presença da Polícia Militar e da tropa de choque nas ações na região, o que foi considerado "temerário" pelos promotores. O Redenção havia sido apresentado em slides de PowerPoint.

Após as críticas, a Prefeitura encaminhou na última semana novo texto com alterações no programa, inclusive com a retirada das menções às ações da polícia. Mesmo assim, a ação foi diferente do esperado. "O projeto encaminhado pela Prefeitura passou por longo processo de discussão e não tem uma única palavra sobre o que está acontecendo lá agora, quer seja sobre a ação da polícia, quer seja sobre a retirada das pessoas dos hotéis. Não era nada disso", destacou o promotor.

O promotor se reuniu na tarde desta segunda com representantes de movimentos sociais e defensoria para discutir o episódio. "A ideia geral é que a operação foi muito ruim. O que podemos ver é que conseguiram espalhar os usuários pela cidade. Pessoas que continuam no uso de drogas e, portanto, se a ideia era parar com o tráfico, isso não aconteceu. As pessoas continuam usando, e agora ainda se criou uma dificuldade imensa do trabalho dos agentes de saúde e sociais, já que essas pessoas se perderam".

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