Papéis mostram caminho de propina de Aécio

Leonardo Augusto, Daniel Bramatti e Marcelo Godoy

Em Belo Horizonte e São Paulo

  • Alan Marques/Folhapress

    Conforme Joesley, Aécio indicou venda de imóvel como forma de receber propina

    Conforme Joesley, Aécio indicou venda de imóvel como forma de receber propina

Documentos obtidos pelo jornal "O Estado de S. Paulo" comprovam a venda de prédio em Belo Horizonte que, conforme delação do empresário Joesley Batista, da JBS, teria como objetivo o repasse de recursos ao senador afastado Aécio Neves (PSDB-MG). Na transação, a J&F Investimentos, controladora da JBS, comprou da Ediminas S/A - Editora Gráfica Industrial de Minas Gerais, o imóvel e um terreno ao lado da construção por R$ 17,35 milhões.

Ainda segundo Joesley, meses antes dessa operação, R$ 2,5 milhões dos cerca de R$ 60 milhões entregues a Aécio para a campanha presidencial de 2014 foram pagos por meio da compra antecipada de publicidade no jornal "Hoje em Dia".

Documento assinado por um diretor do Grupo Bel - que controlava o jornal por meio da Ediminas S/A - atesta a compra de 365 páginas de publicidade pela JBS. Ele foi entregue por Joesley aos procuradores.

O criminalista Alberto Zacharias Toron, que cuida da defesa de Aécio, afirmou neste domingo (21) que não se manifestaria sobre o caso e que só o fará oportunamente. As operações descritas por Joesley teriam servido para dissimular os pagamentos ao senador.

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A Ediminas é proprietária do jornal "Hoje em Dia", que funcionava no prédio. Além do registro da negociação em cartório, a reportagem teve acesso também a um recibo de quitação do pagamento da transação da J&F à Ediminas, que pertencia ao Grupo Bel, do setor de comunicação. A compra foi em 2015.

Em depoimento à Procuradoria da República, Joesley afirma que Aécio voltou a procurá-lo em 2015 pedindo dinheiro para pagar dívidas de campanha. No ano anterior, o tucano disputou a Presidência e já teria recebido R$ 60 milhões.

O sócio da JBS afirmou ter repassado R$ 17 milhões ao senador por meio da compra superfaturada do prédio em Belo Horizonte, de propriedade de um aliado do senador. "Precisava de R$ 17 milhões e tinha um imóvel que dava para fazer de conta que valia R$ 17 milhões", afirmou.

O empresário apresentou documentos da compra do imóvel. No contrato registrado em 30 de novembro de 2015 no cartório em Pirapora do Bom Jesus, em São Paulo, da J&F com a Ediminas, as empresas declaram que Joesley pagou R$ 14 milhões pelo prédio - uma entrada de R$ 4 milhões e dez parcelas de R$ 1 milhão. Uma primeira parcela de R$ 4 milhões não está nesse contrato.

Conforme Joesley, Aécio indicou o imóvel como forma de receber propina. Questionado se a venda fora superfaturada, Joesley disse: "Sem dúvida. Não estávamos atrás de comprar um prédio em Belo Horizonte".

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Ediminas

O dono da Ediminas à época da negociação, Flávio Jacques Carneiro, nega irregularidades na venda do prédio. "Fiquei sabendo disso pela televisão. Vamos demonstrar que é mentira. O imóvel foi vendido para pagar bancos, fornecedores e funcionários." Carneiro diz ser amigo de Aécio Neves e ter boa relação com Joesley.

O ex-dono da Ediminas afirmou ainda que o imóvel tinha preço baixo e que a J & F Investimentos possuía "um fundo bilionário". Na delação, Joesley afirmou não saber como o dinheiro chegou às mãos do senador e disse que pediu a Carneiro que solicitasse a Aécio, "pelo amor de Deus", que ele parasse de lhe pedir dinheiro.

A primeira entrada de R$ 4 milhões, foi paga em 28 de setembro de 2015. A segunda parcela, de R$ 4 milhões foi repassada em 28 de outubro. A terceira, de R$ 1 milhão foi quitada em 30 de novembro. Os nove pagamentos restantes, no valor de R$ 1 milhão cada, foram quitados em fevereiro de 2016, com desconto de R$ 18 milhões para os R$ 17.354.824,75. O recibo de quitação registra que foi aplicada "taxa de desconto financeiro acordada entre as partes".

Mudança

A Ediminas pertence hoje ao ex-prefeito de Montes Claros, Ruy Muniz, marido da deputada federal Raquel Muniz. O jornal "Hoje em Dia" estudou seguir no prédio comprado pela J&F, mas, segundo o diretor do jornal Tiago Muniz, a empresa decidiu se mudar e hoje ocupa imóvel na zona oeste de Belo Horizonte. As informações são do jornal "O Estado de S. Paulo".

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