Motorista que arrastou ciclista em SP se entrega, mas vai responder em liberdade

Felipe Resk

São Paulo

  • Aloisio Mauricio/Fotoarena/Estadão Conteúdo

    Mario Prestes Neto (à esq.) se apresentou com um advogado no 91º DP (Distrito Policial)

    Mario Prestes Neto (à esq.) se apresentou com um advogado no 91º DP (Distrito Policial)

O caminhoneiro Mario Prestes Neto, de 61 anos, que atropelou e arrastou um ciclista em Osasco, na Grande São Paulo, semana passada, se entregou neste domingo, 3, no 91° Distrito Policial (Ceagesp), na capital paulista. Investigado por homicídio doloso e fuga do local do acidente, ele foi liberado da delegacia por volta das 16h30, após o Tribunal de Justiça negar o pedido de prisão temporária da Polícia Civil.

O caminhoneiro foi liberado da delegacia neste domingo (3).

Segundo a Polícia Civil, o pedido de prisão foi negado pelo juiz por entender que o réu pode responder ao processo em liberdade, uma vez que tem idade avançada, endereço fixo, não apresentaria antecedentes e se apresentou na delegacia. Como só se entregou dias após o crime, não foi alvo de flagrante.

O advogado de defesa Cícero Oliveira dos Santos afirmou que Neto estava em Presidente Prudente, no interior paulista, em estado de choque e pensando em suicídio. Ele nega que o suspeito só tenha se apresentado neste domingo para livrar o flagrante.

Santos disse que o motorista conduzia o veículo, quando foi surpreendido por um ciclista cruzando a via e não pôde evitar o acidente. Para justificar o fato de Neto só ter parado mais de 2 km depois, mesmo com a vítima presa ao capô do carro, afirmou que o suspeito não queria "passar por cima do corpo" e que foi vítima de ameaças de pessoas que gritavam "assassino".

Neto saiu acompanhado do advogado, sob forte assédio da imprensa e não quis falar. Do lado de fora do 91° DP, abraçou a filha que havia registrado um boletim de ocorrência para denunciar o pai como autor do crime. "Ele não ficou com raiva. Criou ela assim, para falar a verdade", disse Santos.

O caso aconteceu na tarde de quarta-feira, 30, por volta das 17h45. A vítima foi o pintor Gilmar Barbosa da Mata, de 45 anos. Segundo o assistente de manutenção Lusimar Rodrigues Barbosa Júnior, de 23 anos, que acompanhava a vítima, ambos voltavam do trabalho em uma rede de hotéis no bairro do Morumbi, na zona sul de São Paulo, no momento do atropelamento.

Segundo o rapaz, eles atravessavam a avenida quando um veículo Renault Clio preto atingiu o pintor, que ficou um pouco para trás porque empurrava a bicicleta. Com o impacto, ele teria sido arremessado e caído no teto do carro, onde se segurou por mais de dois quilômetros até as proximidades do Complexo Viário Heróis de 1932, conhecido como Cebolão.

Natural de Boquira, na Bahia, a vítima trabalhava como pintor e morava em São Paulo havia cerca de 18 anos. Ele faria aniversário de 46 anos nesta sexta-feira, 1. O incidente ocorreu no primeiro dia em que foi ao trabalho de bicicleta, pois costumava utilizar o próprio carro no trajeto.

De acordo com o irmão do ciclista, Nilton Barbosa da Mata, de 42 anos, ele havia se casado há cerca de 20 dias com a companheira com quem vivia. Ele era pai de dois jovens, de 14 e seis anos. "Foi uma tragédia", resumiu.

 

Trecho onde ciclista morreu é considerado perigoso

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

Veja também

UOL Cursos Online

Todos os cursos