Raquel Dodge quer saber de Aloysio quem o apresentou a delator da Odebrecht

Luiz Vassallo

São Paulo

  • Pedro Ladeira/Folhapress

A procuradora-geral da República, Raquel Dodge, pediu para que o ministro das Relações Exteriores, Aloysio Nunes, seja ouvido novamente no âmbito de inquérito que o investiga por suposto repasse de R$ 500 mil da Odebrecht. Em petição ao ministro relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, a chefe do Ministério Público Federal solicita que o tucano seja reinquirido para esclarecer sobre quem o apresentou ao delator Carlos Armando Paschoal.

Ex-diretor da empreiteira em São Paulo, Paschoal é um dos 77 executivos que admitiram repasse de supostas vantagens indevidas a políticos em acordo com a Procuradoria-Geral da República.

Em petição, afirmou ser "incontroverso" o repasse de R$ 500 mil da Odebrecht para o ministro das Relações Exteriores, Aloysio Nunes.

A procuradora-geral ainda pede ao ministro Gilmar Mendes "a reinquirição do Senador Aloysio Nunes acerca do nome da pessoa que apresentou ao colaborador Carlos Armando Paschoal na reunião em seu comitê eleitoral - quando solicitou recursos para sua campanha".

Defesa

Em nota, a assessoria de imprensa do ministro Aloysio Nunes Ferreira afirmou: "A procuradora-geral da República Rachel Dodge erra gravemente quando afirma ser "incontroverso" o recebimento de contribuição não declarada da Odebrecht pelo ministro das Relações Exteriores, Aloysio Nunes Ferreira, à sua campanha ao Senado, em 2010. Na verdade, os delatores não foram capazes de esclarecer quem pagou, nem onde, nem muito menos quem recebeu os recursos.

Ainda conforme relatos dos delatores, a empreiteira nunca condicionou a resolução de problemas envolvendo obras ao pagamento de vantagem indevida ou mesmo a realização de doação eleitoral. Razão pela qual a procuradora-geral julga ser procedente o desmembramento do inquérito que apura irregularidades em contratos do Rodoanel, de São Paulo, por "não haver indícios de situação que justifique a conexão".

Por isso, não há que se falar em crime de corrupção, como será comprovado ao final da investigação, que é bem-vinda também para afastar qualquer dúvida quanto à correção da prestação de contas da campanha que, aliás, já foram aprovadas pela Justiça Eleitoral."

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