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SP: em áudio, diretora do Ilume defende empresa e cita suposta propina em PPP

Luiz Vassalo

São Paulo

21/03/2018 13h22

Áudio atribuído a uma servidora da Prefeitura de São Paulo revela a diretora do Departamento de Iluminação Pública (Ilume), Denise Abreu, supostamente defendendo os interesses da empresa vencedora da PPP da Iluminação, que vai custar R$ 6,9 bilhões aos cofres do município. Na conversa, Denise ainda mencionou que, em razão de um suposto fim da PPP, cessariam supostos pagamentos feitos pela empresa a funcionários da pasta.

Na gravação ambiental, Denise menciona que seria o "último mês" porque a empresa não teria "mais contrato". "Eu vou te dar os seus três .. Mas a empresa (FM Rodrigues) não tem mais contrato e eu não vou ter como arcar daqui pra frente com isso. É o último mês. Simplesmente não tem como"

A Prefeitura assinou no último dia o contrato com o Consórcio FM Rodrigues/CLD, vencedor da Parceria Público-Privada (PPP) da Iluminação Pública. A empresa deverá assumir programa de modernização do parque de iluminação da capital paulista em uma concessão de 20 anos.

A concorrente da FM Rodrigues era o consórcio Walks, integrado pela WPR Participações - do grupo WTorre -, a Quaatro e a KS Brasil Led Holdings. A proposta da Walks foi de R$ 23,25 milhões por mês, ante R$ 30,158 milhões ofertados pelo concorrente FM Rodrigues.

Diversas batalhas judiciais foram travadas entre as concorrentes e a Prefeitura excluiu a Walks do certame por considerar que uma das empresas do consórcio é controladora da Alumini, empresa declarada inidônea pela Controladoria-Geral da União (CGU).

No áudio, gravado antes do resultado da licitação, a diretora da Ilume, Denise Abreu, afirma ser um "escândalo" a possibilidade de a WTorre - do consórcio Walks - vencer a licitação, e se diz "inimiga da empresa".

"É um escândalo! eu só vejo jornalista falando mal da Lava Jato e ninguém fala do Walter Torre. É um puta cara da Lava Jato. Estão deixando o Walter ganhar. Eu não tenho nenhum contato, nem vou mexer com a WTorre, eu sou inimiga deles. muito complicado", afirma.

Ela ainda disse se recusar a assinar o contrato com a WTorre. "Se o cara (do consórcio concorrente) cair fora e eu tiver que assinar com a Walter Torre, eu vou pedir a minha exoneração".

A servidora, que gravou a conversa com Denise, questiona: "A PPP você não vai ganhar?". Denise responde. "Não. A PPP existem dois concorrentes: a FM e o Walter Torre , que está na Lava Jato, denunciado, pagando imprensa para dizer que a gente está fazendo putaria e com isso tudo nós estamos perdendo aqui".

Ela ainda diz que Marcelo, sócio da FM Rodrigues, está "de saco cheio da imprensa". "Está de saco cheio. Principalmente com a imprensa. E eu também. Estou decepcionadíssima com a imprensa brasileira. Então, fazer o quê?" E completa. "Eu ainda estou nessa luta. Vamos ver se eu consigo…".

Defesas

Em nota, a diretora do Ilume, Denise Abreu, nega que tenha praticado qualquer irregularidade e afirma que vai esclarecer "todas as acusações infundadas".

Ela ressalta que não poderia interferir na PPP da Iluminação, pois "não teve a participação na Comissão Especial de Licitação e nem competência legal para assinar contrato".

A Prefeitura de São Paulo der manifestou, informando "que todas as ações da Comissão Especial de Licitação foram publicadas no Diário Oficial."

"O consórcio Walks foi excluído do certame por ser integrado pela empresa Quaatro, controladora da Alumini, que foi declarada inidônea pelo Ministério da Transparência, o que a impede da participação de licitações e/ou firmar contratos nas três esferas do governo."

"A Prefeitura ressalta que todo o processo da PPP da Iluminação foi pautado pelo respeito à lei e à transparência", finaliza.

O Consórcio Walks diz em nota que "seguiu à risca todas as exigências do edital da PPP da Iluminação. Apesar disso, foi alvo de diversas decisões da Comissão de Licitação que visavam sua impugnação, mesmo diante de reiteradas decisões da Justiça que reafirmavam o direito do Consórcio Walks de participar da concorrência. O resultado causou estranheza, não só por beneficiar um concorrente que apresentou proposta 29,66% mais cara como pelos argumentos utilizados".

"O Consórcio Walks entrou com recurso na Justiça assim que o vencedor foi declarado e espera que haja transparência na apuração das irregularidades levantadas pela reportagem", diz a nota

A reportagem entrou em contato com a FM Rodrigues e com a WTorre, mas não obteve respostas. O espaço está aberto para manifestações.