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FHC diz que Alckmin é competitivo, mas eleição será difícil

André Dusek/Estadão Conteúdo
5.jul.2015 - O senador Aécio Neves conversa com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, sentado ao lado do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, durante a 12ª Convenção Nacional do PSDB, no Hotel Royal Tulip, em Brasília, neste domingo. Aécio será reconduzido à presidência do partido durante o evento Imagem: André Dusek/Estadão Conteúdo

Marcelo Osakabe

São Paulo

11/04/2018 20h08

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso disse nesta quarta-feira, 11, em entrevista à rádio CBN, considerar que o ex-governador de São Paulo e presidenciável tucano, Geraldo Alckmin, é um nome competitivo, mas que a eleição deste ano deve se mostrar difícil porque tem várias candidaturas, sem que nenhuma desponte.

Para o cacique tucano, Alckmin tem chances não só porque venceu várias eleições no Estado de São Paulo, mas também porque deve dispor de uma aliança política maior que a de outros candidatos este ano.

"Temos que lembrar que a eleição é casada. As alianças eleitorais pesam, o tempo de televisão pesa", disse FHC na entrevista. O tucano teceu os comentários após comentar sobre a situação do deputado Jair Bolsonaro (PSL), que, em sua opinião, sobe nas pesquisas porque a população está insegura e quer ordem. "Agora, vamos ver na campanha o que ele vai dizer, como as forças sociais vão se colocar", disse.

Sobre quais candidaturas se mostram competitivas no momento, o tucano disse que só os embates públicos entre os candidatos devem mostrar isso. Para o ex-presidente, será competitivo aquele que tiver mensagem e capacidade de repassá-la ao eleitorado, mas que também é preciso ter capacidade de governar e de dialogar com o Congresso. "Para governar, não basta mensagem", disse.

O ex-presidente evitou comentar sobre a candidatura do ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa, que se filiou na semana passada ao PSB, mas notou que o jurista deixou uma lembrança positiva por sua atuação no mensalão. Ele também voltou a dizer que não estimulou a candidatura do apresentador de TV Luciano Huck. "Não estimulei Luciano, estimulei tudo que é novo. Acho importante abrir espaço para lideranças novas", comentou.

Lula

O ex-presidente afirmou também que não ficou contente com a prisão do ex-presidente Lula, mas que a "justiça se cumpriu". "Não acho que seja bom para ninguém (a prisão de Lula). É um momento delicado da vida política brasileira, especialmente porque as acusações não são políticas, são de conduta", opinou.

Na entrevista, o tucano afirmou ainda que não considera o petista um preso político, uma vez que a Justiça brasileira é livre e que todos os trâmites necessários foram cumpridos.

Para FHC, a prisão de Lula é triste porque tanto o PSDB e o PT, que polarizaram a política brasileira nas últimas duas décadas, nasceram com ideais próximos, mas acabaram deixando de se unir na luta contra "os verdadeiros males" do País, como o patrimonialismo e o corporativismo.

Por outro lado, o ex-presidente rebateu as acusações de que a Lava Jato estaria sendo parcial, focando especialmente em políticos do PT. "Acho que o que está no foco da Lava Jato é o poder central, e o PSDB não estava no poder", afirmou.

Questionado sobre qual seria sua opinião sobre a prisão em segunda instância, que pode ser revista novamente pelo Supremo Tribunal Federal (STF), FHC disse que a execução provisória de pena foi pensada para se impedir a prescrição de processos à custa de meios protelatórios. Ele indicou que poderia apoiar a ideia de permitir a prisão após apreciação pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), ideia defendida pelos ministros Gilmar Mendes e Dias Toffoli, caso ela previsse um prazo para o julgamento dessas ações.

Temer

FHC disse que relutou em apoiar o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff como fez na época de Collor, uma vez que isso significa uma grande perda de capacidade de governar o País. Por outro lado, o ex-presidente disse considerar que o atual mandatário, Michel Temer, conseguiu fazer muito mais mudanças do que imaginava. O tucano entende que a popularidade do emedebista deve ter dificuldades para subir mesmo diante dos avanços vistos em seu governo. "O povo esquece que votou no vice. Pensa que votou no outro".