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Proposta de Bolsonaro de meta para dólar repercute negativamente no governo

Adriana Fernandes

Brasília

28/10/2018 15h55

A proposta do candidato Jair Bolsonaro (PSL) à Presidência da República de adotar uma meta para dólar, caso eleito neste domingo, 28, repercutiu negativamente na área econômica do governo federal. A avaliação corrente é que a sugestão do líder das pesquisas de controle do câmbio, apresentada em entrevista ao site Poder360, pode dificultar a formação de equipe com reconhecida experiência técnica não só no BC como no restante da área econômica.

A proposta fragiliza o tripé macroeconômico, baseado em controle da inflação, responsabilidade fiscal e regime de câmbio flutuante. Ou seja, incompatível com meta para o dólar.

Incomodou, sobretudo, a sinalização dada por Bolsonaro na entrevista de que o homem forte de um eventual governo será o deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS) em contraponto ao economista Paulo Guedes, que ficou conhecido com o seu "posto Ipiranga" e coordenador do seu programa econômico.

Na entrevista ao Poder360, Bolsonaro deixou claro que as indicações para a formação da equipe econômica terão como palavra final o crivo de Onyx Lorenzoni. "Ele (Guedes) tem uma lista de nomes para a equipe econômica e muitos já são do meu conhecimento. Vou conversar com o Paulo Guedes e quem depois vai bater o martelo é o Onyx, que será o coordenador de tudo", disse.

Um integrante da equipe econômica disse que a posição de Bolsonaro assustou. A fonte lembra que, durante a campanha no primeiro turno, o candidato do PDT ao Palácio do Planalto Ciro Gomes foi bastante criticado pelo mercado por incluir no seu programa proposta que previa que a taxa de câmbio deveria "oscilar, com reduzida volatilidade, em torno de um patamar competitivo para a indústria nacional". A equipe de Ciro também defendeu na época a criação de uma espécie de Copom para o câmbio.

Bolsonaro e sua equipe já sinalizaram que podem contar com alguns integrantes da equipe econômica, entre eles, o presidente do BC, Ilan Goldfajn, que poderia permanecer no cargo numa fase de transição. Além do presidente, o BC conta com oito diretores. O secretário do Tesouro, Mansueto Almeida, e o assessor especial do Ministério da Fazenda, Marcos Mendes, também são cotados a permanecer no cargo.

Na entrevista ao site Poder360, o líder nas pesquisas eleitorais disse que pediu ao economista Paulo Guedes a adoção desses parâmetros para o trabalho da autoridade monetária. O candidato afirmou ainda que a indicação para a presidência do órgão será feita já nas próximas semanas. "O presidente do Banco Central terá liberdade para decidir dentro de parâmetros. O controle da inflação não pode ser apenas taxa de juros. O Banco Central deverá ter inteligência", disse o candidato na entrevista concedida na sexta-feira à tarde, por telefone.