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SP tem 70 casos autóctones de sarampo e vacinação será feita em escolas

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Doença pode ser evitada pela vacina tríplice viral, que protege contra sarampo, rubéola e caxumba

Paula Felix

São Paulo

22/07/2019 12h57

Para conter o avanço do sarampo na cidade de São Paulo, a campanha de vacinação de jovens de 15 a 29 anos, público-alvo da ação, será realizada nas escolas. A Prefeitura firmou parceria com a Secretaria de Estado da Saúde para que a imunização seja realizada nas escolas estaduais na volta às aulas. Batalhões da Polícia Militar também vão oferecer a vacina.

De acordo com o último balanço, a capital paulista contabiliza 363 casos confirmados da doença, dos quais 70 são autóctones (contraídos na própria cidade). Uma campanha com o público-alvo, que tem menos chance de ter completado o esquema vacinal do sarampo, composto por duas doses, está sendo realizada desde 10 de junho. No entanto, apenas 6% dessa população se vacinou.

Segundo o secretário de Estado de Saúde, Rossieli Soares, uma campanha de conscientização será realizada com os alunos com mais de 15 anos nas escolas estaduais. Depois, será feita a ação de imunização.

"É muito importante olhar para o público-alvo, porque temos grande parte desse público e as taxas de sucesso são muito maiores quando há parcerias desse tipo. Vamos fazer a vacinação nas nossas escolas em todos os alunos do ensino médio e nos jovens adultos que são nossos alunos. (A previsão é de que) no início do mês de agosto, a gente já inicie a vacinação dentro das escolas."

O prefeito Bruno Covas (PSDB) informou que ações para combater fake news relacionadas às vacinas e a capacitação de profissionais com foco na doença estão sendo realizadas. "Essa questão não envolve só a Secretaria de Saúde. Temos 45 mil alunos na aprendizagem de jovens e adultos. Não é um desafio a ser vencido só pelo poder público, mas envolve a responsabilidade de toda a sociedade", disse.

De acordo com o secretário municipal da Saúde, Edson Aparecido, a meta é vacinar aproximadamente 3 milhões de jovens. "Um caso da doença pode contaminar de 11 a 18 pessoas. Sarampo não é uma gripe, é uma doença que mata", alertou.

No comando da Coordenadoria de Vigilância em Saúde (Covisa), Solange Maria Saboia e Silva disse que há cerca de 800 casos em investigação na capital, dos quais 363 foram confirmados. Destes casos, 70 foram contraídos na cidade. A circulação do vírus começou em fevereiro deste ano a partir de casos importados de Israel, Malta e Noruega.

"Temos verificado vários surtos de pessoas que trouxeram o vírus e estamos fazendo todos os esforços para evitar uma epidemia. Temos bairros com maior circulação, mas não existem regiões em que as pessoas não precisam se vacinar. Todas as regiões estão sujeitas a ter circulação da doença", disse a coordenadora.

A vacinação já está ocorrendo em parques, no transporte público, em shoppings e também será levada para os batalhões da Polícia Militar. "Temos uma capilaridade gigantesca e estamos em todos os bairros. Toda a estrutura da instituição estará disponível como ponto de vacinação", afirma o coronel Marcelo Vieira Salles, comandante-geral da PM.

Ações de bloqueio

As ações de bloqueio, quando há casos suspeitos da doença e a população é vacinada, serão rígidas com estabelecimentos que se negarem a receber as equipes de vacinação. "Vamos fechar por 21 dias se não deixarem vacinar", diz Aparecido.

Segundo ele, já ocorreu uma situação de uma empresa que se negou a realizar a imunização e, após saber que poderia ser fechada pelo período, permitiu a atuação dos agentes. Neste ano, foram realizadas 1.185 mobilizações dessa natureza.

Ainda de acordo com o secretário, condomínios e empresas que desejarem realizar campanhas de imunização podem acionar a secretaria e solicitar o trabalho das equipes.

Campanha

Na semana passada, a Secretaria de Estado da Saúde divulgou que o número de casos de sarampo chegou a 484 no Estado e que a capital era o local com a maior quantidade de registros.

Uma campanha de imunização, com foco nos jovens de 15 a 29 anos, está em andamento em São Paulo e em 14 cidades da Grande São Paulo: Guarulhos, Osasco, São Bernardo do Campo, Santo André, São Caetano do Sul, Barueri, Carapicuíba, Diadema, Mairiporã, Mauá, Santana de Parnaíba, Ribeirão Pires, Rio Grande da Serra e Taboão da Serra. A ação deve ser realizada até o dia 16 de agosto.

A doença

O sarampo é uma doença grave e que pode levar à morte, mas pode ser evitada pela vacina tríplice viral, que protege contra sarampo, rubéola e caxumba. Ela integra o Programa Nacional de Imunizações (PNI) e é aplicada aos 12 meses, com reforço aos 15 meses com a tetraviral (sarampo, rubéola, caxumba e varicela).

Até os 29 anos, a recomendação é tomar duas doses do imunizante. Entre 30 e 59 anos, a pessoa deve ser vacinada uma vez. Para quem não sabe se já tomou o número adequado de doses da vacina, a orientação é se vacinar.

Quem já teve sarampo não precisa se vacinar, pois já possui os anticorpos para que a doença seja evitada.

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