Lula defende que PT acirre discurso ideológico e diz que partido precisa falar com o povo

Em um discurso de cerca de 40 minutos, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu, em evento do Partido dos Trabalhadores sobre as eleições de 2024, que os petistas acirrem o discurso ideológico nas eleições municipais do ano que vem.

"Temos de nos perguntar por que um partido que muitas vezes no discurso pensa que tem toda a verdade do planeta só conseguiu eleger 70 deputados. Por que tão pouco se a gente é tão bom? Se a gente acha que poderia ter muito mais. É preciso que a gente tente encontrar respostas dentro de nós. Será que estamos falando aquilo que o povo quer ouvir de nós?", questionou o presidente.

Em alguns momentos, Lula deu bronca nos correligionários e disse ser preciso falar com setores da população com quem o PT tem dificuldades, como evangélicos e empresários.

"Precisamos aprender a construir um discurso para conversar com essa gente. Como a gente vai convencer pequenos e médios empresários a votar em nós? Quem vota no PT são pessoas de até 2 salários mínimos. Um metalúrgico de São Bernardo que ganha 8 mil reais já não quer mais votar na gente. Pega pesquisa. Quem ganha mais de 5 salários mínimos já tem dificuldade de votar na gente. É porque essa pessoa ficou ruim? Não, é porque, possivelmente, ela elevou um milímetro o padrão de vida, de aprendizado, e nós não aprendemos a conversar com ela", analisou o presidente.

Lula disse aos petistas que as eleições do ano que vem devem repetir a lógica de disputa contra o ex-presidente Jair Bolsonaro.

"Essa eleição não sei se será municipalizada, estadualizada ou nacionalizada. Acho que vai acontecer um fenômeno. Acho que vai ser mais uma vez Lula e Bolsonaro disputando nos municípios. Não pode aceitar provocação, medo, ficar com vergonha. O cachorro quando late para a gente, a gente late também para ele ficar com medo da gente", afirmou.

Segundo o presidente, o partido "precisa voltar um pouco a ser como era no começo para a gente reconquistar a credibilidade que muitas vezes a facilidade nos tira do jogo".

"Hoje, ninguém quer fazer campanha sem dinheiro. A gente sabe que é muito difícil a campanha eleitoral como está colocada", afirmou.

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