Tudo o que você precisa saber sobre as eleições da Fifa

Por Tatiana Girardi SÃO PAULO, 25 FEV (ANSA) - Abalada por um escândalo de corrupção que a obrigou a convocar eleições extraordinárias, a Fifa decide nesta sexta-feria (26) quem será seu novo presidente pelos próximos quatro anos.   


Pela primeira vez na história, cinco dirigentes concorrem ao mais alto posto do futebol mundial e um deles terá a missão de recuperar a imagem completamente arranhada da entidade. Além disso, o vitorioso iniciará um novo capítulo para o esporte ao substituir Joseph Blatter, que por 18 anos comandou a Fifa.   


Os favoritos para a disputa são dois: o xeque saudita Salman Bin Ebrahim al-Khalifa, presidente da Confederação Asiática de Futebol (AFC), e o suíço-italiano Gianni Infantino, secretário-geral da Uefa desde 2009.   


Enquanto o primeiro conta com o apoio da AFC e da Confederação Africana (CAF) - mesmo com uma divisão de opiniões entre as federações locais -, Infantino teve apoio declarado da Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol), da Confederação de Futebol da América do Norte, Central e Caribe (Concacaf) e da Uefa. Além dele, estão correndo por fora o príncipe da Jordânia, Ali Bin al-Hussein, o francês Jérôme Champagne e o sul-africano Tokyo Sexwale.   


O que torna a votação da Fifa completamente aberta, mesmo com as casas de apostas dizendo que al-Khalifa e Infantino estão na frente, é que todos os 209 votantes têm o mesmo peso na disputa.   


Ou seja, não é porque Europa e América do Sul têm mais história no futebol que seus votos sejam mais relevantes.   


E esse ponto pode ser negativo para Infantino. Os africanos têm direito a 54 votos, os europeus a 53, os asiáticos a 46, os membros da Concacaf têm 35 votos, os da Oceania têm 11 e os sul-americanos têm 10. Em uma conta simples, sem contar os votos da Oceania que não anunciou candidato, o xeque teria 100 votos e Infantino 98. Porém, como o voto é secreto, os representantes das federações podem não seguir as indicações e escolherem quem bem entenderem.   


Para vencer em primeiro turno, o novo presidente terá que obter dois terços das escolhas. Caso não consiga, no segundo turno, o que menos receber votos é eliminado e o vencedor será o que conseguir uma maioria simples (50% mais um).   


- Perfil dos candidatos: Os candidatos ao cargo mais importante do futebol têm perfil variado. Confira os principais feitos de cada um dos concorrentes: O suíço-italiano Gianni Infantino tem 45 anos e é secretário-geral da Uefa. Sendo considerado o braço-direito do francês Michel Platini, suspenso por seis anos da Fifa, ele defende a expansão da Copa do Mundo para 40 seleções. Têm as propostas mais fortes na questão de organização da entidade, propondo implementação de controles rígidos na questão financeira e organizacional.   


O xeque do Bahrein, Salman Bin Ebrahim al-Khalifa, tem 50 anos e é presidente da Confederação Asiática de Futebol (AFC). Já atuou em diversos Comitês da Fifa e é acusado por grupos de direitos humanos de não respeitar os atletas de seu país. Sua principal promessa é separar interesses comerciais e empresariais dentro da estrutura da entidade.   


O jordaniano Ali Bin al-Hussein, 50 anos, concorreu com Blatter na última eleição e perdeu. No ano passado, obteve 73 votos e tinha apoio dos europeus. É considerado a terceira força da disputa. Presidente da Associação de Futebol da Jordânia desde 1999, foi membro do Comitê Executivo da Fifa entre os anos de 2011 e 2015.   


O francês Jérôme Champagne, de 57 anos, já tentou concorrer ao cargo de presidente da Fifa por duas vezes, desistindo antes do pleito. Trabalhou o como executivo do órgão entre os anos de 1999 a 2010. Deixou a organização pela nomeação de Jérôme Valcke, do qual se considera inimigo, para o cargo de secretário-geral. A principal proposta é dobrar a verba para as confederações menos expressivas mundialmente.   


O sul-africano Mosima Gabriel Tokyo Sexwale, 62 anos, é empresário e se envolveu na organização da Copa do Mundo da África do Sul em 2010. É acusado de ter agido de maneira corrupta para conseguir benefícios durante o evento. Suas principais bandeiras são a criação de um comitê anti-racismo e apoio às reformas na entidade. Além disso, foi companheiro de cela de Nelson Mandela durante o regime do Apartheid.   


- Escândalo Envolvida em um escândalo de corrupção sem precedentes no futebol, o pleito ocorrerá em um momento que os "reis do esporte" foram todos tirados de campo. Blatter está banido de qualquer evento relacionado ao esporte por seis anos. Seu braço-direito, o ex-secretário-geral Jérôme Valcke foi afastado, demitido e banido do futebol por 12 anos. O provável sucessor do suíço na Presidência, o francês Michel Platini, também foi banido por seis anos e precisou sair da disputa.   


Diversos presidentes de federações nacionais e confederações regionais já estão vendo o sol nascer quadrado - ou com sua liberdade restringida - nos Estados Unidos acusados de crimes de corrupção, fraudes, subornos, entre outros, na assinatura de contratos de direitos de transmissão de competições.   


Entre eles, está o brasileiro José Maria Marin, que quando foi preso em Zurique, no dia 27 de maio, era vice-presidente da Confederação Brasileira de Futebol.   


Porém, nada garante que o vitorioso consiga resgatar a imagem do órgão, já que todos os candidatos - de alguma maneira - já se beneficiaram da estrutura da Fifa e fizeram parte do quadro de dirigente da entidade por longos anos. (ANSA)
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