Estamos a um passo de um golpe, diz Dilma no Senado

SÃO PAULO, 29 AGO (ANSA) - A presidente afastada Dilma Rousseff ressaltou hoje, dia 29, em discurso realizado no Senado no âmbito do processo de impeachment, que "estamos a um passo de uma grave ruptura institucional" e da "concretização de um verdadeiro golpe de Estado".   


"Por isso, diante das acusações, não posso deixar de sentir na boca novamente o gosto áspero e amargo da injustiça. Por isso, como no passado resisto. Não esperem de mim o silêncio dos covardes", apontou durante pronunciamento. "Jamais haverá justiça na minha condenação".   


"Arquitetaram minha destituição, independentemente da existência de fatos que pudessem justificá-la perante a nossa Constituição", declarou a presidente afastada, alegando que, ao exercer o cargo, respeitou "fielmente" o compromisso assumido diante da nação. A presidente alfinetou os ex-aliados, que mudaram de lado nos últimos meses, durante o transcorrer do processo. "Entre meus defeitos não está deslealdade e covardia".   


Ela lamentou aqueles se venderam, mesmo diante de histórias de luta no passado, e reiterou que resistirá. "Não luto pelo meu mandato, como aqueles que não têm caráter, luto pela democracia, pela verdade, justiça. Luto pelo povo do nosso país".   


"Tenho a consciência absolutamente tranquila diante daquilo que fiz na Presidência. Venho olhar nos olhos dos senadores e dizer, com a serenidade de quem não tem nada a esconder, que não cometi nenhum crime".   


Citando os ex-presidentes Getúlio Vargas, Juscelino Kubitschek e João Goulart, Dilma diz também estar sendo vítima de uma tentativa de golpe. "Novamente, ao serem feridos interesses da elite, nos vemos diante do risco de uma ruptura democrática". A líder afastada disse que, para assumir o Poder sem o amparo das urnas, o governo de Michel Temer está invocando a Constituição com argumentos frágeis, para que o golpe tente ser encoberto. "As acusações contra mim dirigidas são meros pretextos embasados por fraca retórica jurídica. São pretextos para derrubar, por meio de impeachment, um governo legítimo". "Tudo fizeram para desestabilizar a mim e ao meu governo", disse, lembrando que a possibilidade de impeachment se tornou assunto central da pauta política e jornalística "apenas dois meses após minha eleição, apesar da falta de motivos para procedência de acusação".   


Sobre o ex-presidente da Câmara de Deputados, Eduardo Cunha, que deu início ao processo após ser contrariado pelo PT, ela lembrou que será julgada por crimes que não cometeu, antes do julgamento "daquele que é acusado de ter praticado gravíssimos atos ilícitos".   


Antes, ela já havia destacado que, ao contrário do deputado afastado, não possui contas no exterior e não foi acusada de enriquecimento ilícito. "Se eu tivesse me acumpliciado com o que há de pior na política, eu não correria o risco de ser condenada injustamente".   


"As acusações dirigidas contra mim são injustas. Cassar em definitivo meu mandato é como me submeter à pena de morte política", apontou, após dizer que os decretos por trás das "pedaladas ficais" serviram para não prejudicar os programas sociais e as conquistas do PT nos últimos anos.   


Após terminar discurso, Dilma foi aplaudida e a sessão foi temporariamente suspensa.   


Após o discurso, os senadores têm até cinco minutos para questionar a mandatária. Kátia Abreu, grande aliada de Dilma, é a primeira a perguntar. Dilma terá o tempo que achar necessário para resposta. Não existe direito a réplica ou tréplica.   


Dilma, que foi recebida com aplausos por aliados no Senado, responde a acusações de ter editado no ano passado decretos de crédito suplementar sem autorização do Congresso, assim como de ter usado dinheiro de bancos federais em programas do Tesouro, as chamadas pedaladas fiscais. A petista foi afastada da Presidência pelo Senado há mais de 100 dias, em maio deste ano. Acompanham a sessão o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o cantor e compositor Chico Buarque e a atriz Letícia Sabatella, entre outros.(ANSA)
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