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Futebol italiano volta a ser manchado por caso de racismo

27/12/2018 09h45

MILÃO, 27 DEZ (ANSA) - Um novo caso de racismo voltou a manchar o futebol italiano na última quarta-feira (26), durante a partida entre Inter de Milão e Napoli no estádio San Siro, válida pela 18ª rodada da Série A.   


Ainda no primeiro tempo, torcedores do time nerazzurro gritaram ofensas racistas contra o zagueiro franco-senegalês Kalidou Koulibaly, que é negro. Além disso, foi possível ouvir cânticos discriminatórios contra os napolitanos, incluindo uma música pedindo para o vulcão Vesúvio "lavá-los com fogo".   


Os alto-falantes do San Siro chegaram a emitir apelos solicitando o fim das ofensas e alertando que a partida poderia ser suspensa, mas nada aconteceu. Já no segundo tempo, Koulibaly foi expulso após levar cartão amarelo por uma falta e aplaudir ironicamente o árbitro Paolo Mazzoleni, que não tomara nenhuma atitude contra os cânticos racistas.   


"Lamento pela derrota [a Inter venceu por 1 a 0] e por ter deixado meus irmãos. Mas tenho orgulho da cor da minha pele, de ser francês, de ser senegalês, napolitano, homem", escreveu Koulibaly no Twitter.   


Após a partida, o treinador do Napoli, Carlo Ancelotti, disse que pedira três vezes a suspensão do jogo por causa das ofensas racistas. "Na próxima vez, abandonaremos o campo, talvez nos deem a partida como perdida", afirmou.   


Segundo Ancelotti, Koulibaly estava "nervoso" por causa do comportamento dos torcedores da Inter e da falta de ação do árbitro. "Normalmente ele é calmo e respeitoso", garantiu. O zagueiro também ganhou o apoio do craque da Juventus Cristiano Ronaldo, que publicou uma mensagem em sua defesa nas redes sociais.   


"No mundo e no futebol precisamos de educação e respeito. Não ao racismo e a qualquer ofensa e discriminação", escreveu o português. Já o procurador da Federação Italiana de Futebol (Figc), Giuseppe Pecoraro, declarou à ANSA que queria a suspensão da partida, mas que a decisão cabia às forças de ordem e ao juiz.   


Política - O episódio também ganhou contornos políticos, já que a Itália convive com recorrentes casos de racismo e xenofobia, especialmente em função da crise migratória que atinge o país nesta década.   


"As vaias a Koulibaly são uma vergonha, um ato vergonhoso contra um atleta sério que leva com orgulho a cor de sua pele", disse o prefeito de Milão, Giuseppe Sala, torcedor da Inter. "Peço desculpas a Kalidou Koulibaly em nome da cidade", acrescentou.   


O prefeito de Nápoles, Luigi de Magistris, por sua vez, atacou o ministro do Interior Matteo Salvini, responsável pela deriva antimigrantes do governo. "A partida poderia ter sido suspensa em um país que vive cada vez mais um racismo de Estado e que tem no governo um ministro que deveria garantir a segurança nos estádios, mas há poucos anos cantava coros racistas contra os napolitanos?", questionou no Twitter.   


Em 2009, durante um comício de seu partido, a Liga, em Pontide, Salvini dissera que os napolitanos "fediam". (ANSA)
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