Quais as chances de um azarão levar a Presidência dos EUA?

  • Robyn Beck/AFP

    Donald Trump (à esq.) e Ted Cruz durante debate entre pré-candidatos; os dois são os melhores cotados entre os republicanos

    Donald Trump (à esq.) e Ted Cruz durante debate entre pré-candidatos; os dois são os melhores cotados entre os republicanos

No dia em que eleitores do Estado de Iowa dão início ao longo processo de escolha dos candidatos à próxima eleição presidencial americana, três azarões despontam no noticiário e nas pesquisas.

Enquanto o empresário Donald Trump e o senador ultraconservador Ted Cruz lideram a corrida pela vaga do Partido Republicano, o senador Bernie Sanders - que se define como socialista - nunca esteve tão próximo da rival Hillary Clinton nas pesquisas entre os eleitores Democratas.

Nos Estados Unidos, a escolha dos candidatos à Presidência segue um roteiro complexo, que tende a favorecer concorrentes com campanhas bem estruturadas nacionalmente e apoiadas por líderes políticos regionais.

Eleitores de cada um dos 50 Estados americanos realizam prévias para definir quais candidatos devem concorrer pelos partidos Republicano e Democrata. A vitória em cada Estado garante aos candidatos o endosso de um determinado número de delegados eleitorais, baseado no tamanho de sua população. Ganham a nomeação os candidatos que somarem mais delegados na contagem final.

Após a prévia em Iowa, será a vez de New Hampshire, no dia 9. O processo se encerra em 14 de junho no Distrito de Columbia, sede da capital, Washington.

Analistas afirmam que, mesmo que liderem a corrida no início, Trump, Cruz e Sanders enfrentarão uma série de dificuldades para conseguir a vaga e se eleger. A BBC Brasil analisou os principais trunfos e obstáculos na trajetória de cada um.

Donald Trump

O empresário é hoje o candidato preferido de 41% dos eleitores republicanos, segundo a última pesquisa da CNN/ORC. Mais de dois terços do eleitorado do partido acredita que ele conquistará a vaga.

Uma análise do The New York Times apontou que, se Trump tiver bons resultados nos primeiros Estados, dificilmente os dirigentes Republicanos conseguirão freá-lo.

O estabilishment do partido considera algumas das visões de Trump populistas, como suas propostas de barrar a entrada de muçulmanos nos EUA e ampliar as tarifas sobre produtos chineses.

O grupo espera que, após as primeiras votações, um candidado Republicano mais moderado - como o senador Marco Rubio, o ex-governador da Flórida Jeb Bush ou o governador de Nova Jersey, Chris Christie - deslanche nas pesquisas e atraia os votos de eleitores que rejeitam Trump.

Um candidato mais ao centro, diz o jornal, poderia contar com apoio considerável entre os eleitores Republicanos mais escolarizados, especialmente no oeste do país.

"Trump ainda não enfrentou uma campanha mediática séria - e ainda não está claro se ele conseguirá manter uma porção tão grande dos votos diante de ataques persistentes a suas declarações no passado", diz o jornal.

Se mesmo assim conseguir a vaga, os resultados médios de pesquisas eleitorais compliadas pelo site Real Clear Politics revelam que hoje ele perderia para Hillary (41,3% X 44%) e Sanders (41,5% X 46,8%) no duelo final.

Ted Cruz

O senador pelo Texas parece hoje o único pré-candidato capaz de fazer frente a Trump em Iowa: lá Cruz conta com 25% das intenções de voto, ante 32% do empresário (nas pesquisas nacionais, Cruz tem 19%, e Trump, 41%).

Levantamentos sobre votações, pronunciamentos e fontes de receitas de congressistas americanos apontam que Cruz é um dos legisladores mais conservadores do país.

Não por acaso, o senador tem tido um bom desempenho entre evangélicos, importante segmento do eleitorado americano. Cruz também tem tentado atrair os votos de Republicanos que temem uma vitória de Trump.

Mas o estabilishment do partido parece rejeitar o senador com a mesma força com que rejeita o empresário - ou ainda mais.

Uma análise do The Washington Post diz que, enquanto Trump parece se preocupar com a opinião dos outros, o que o tornaria mais maleável às posições do partido, Cruz age como se não se importasse em ser odiado por suas falas e posições.

Num debate recente, o senador comprou briga com os eleitores de Nova York, a maior cidade americana, ao criticar a relação de Trump com a cidade. Segundo Cruz, Trump representa os "valores de Nova York", entre os quais citou a defesa do casamento gay e do aborto.

Se conseguir a vaga Republicana, os resultados médios de pesquisas eleitorais compiladas pelo Real Clear Politics revelam que hoje Cruz bateria Hillary (46,8% X 45,5%) mas perderia para Sanders (45% X 41,7%).

Bernie Sanders

Poucos imaginavam que o senador por Vermont poderia desafiar a favorita Hillary Clinton na disputa. Mas, segundo as últimas pesquisas da NBC, Sanders encostou na ex-secretária de Estado em Iowa (45% X 48%) e a ultrapassou com folga em New Hampshire (57% X 38%).

Uma análise na versão americana do Observer diz que Sanders tem o potencial de unir eleitores pobres e da classe trabalhadora numa campanha contra os interesses econômicos do setor financeiro, emulando o movimento Occupy Wall Street.

Sanders tem recorrido principalmente a pequenas doações para financiar sua campanha. A prática, diz ele, lhe garante independência e o diferencia de seus principais competidores, que se valem de fortunas pessoais (no caso de Trump) ou grandes doadores para bancar suas atividades.

Por outro lado, analistas dizem que o sistema de arrecadação pode não lhe garantir os recursos suficientes para vencer uma disputa longa e desgastante.

Outro desafio de Sanders é atrair os eleitores negros, importantes especialmente nas prévias no sul dos EUA. Por enquanto, o senador tem tido mais sucesso entre eleitores brancos.

Se conseguir a vaga do Partido Democrata, os resultados médios de pesquisas eleitorais compliadas pelo Real Clear Politics mostram que hoje Sanders derrotaria tanto Trump (46,8% X 41,5) quanto Cruz (45% X 41,7%).

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