Debate político vira campo minado de boatos: você caiu em algum?

A crise política brasileira causou uma grande polarização social, levou milhares de pessoas para protestos populares, dividiu famílias e agora provoca uma avalanche de boatos nas redes sociais. São vídeos com legendas trocadas, fotos retiradas de contexto e notícias falsas. Tudo para tentar desestabilizar os rivais políticos e causar um nó na cabeça de quem lê.

A BBC Brasil lista alguns desses boatos:

Obama

Reprodução
Nos últimos dias, um vídeo do presidente americano, Barack Obama, viralizou após ser divulgado com uma legenda em português diferente do discurso original, feito em 2010.

O texto da legenda fala sobre os grampos feitos com o ex-presidente Lula, mas em nenhum momento o presidente Obama cita o Brasil ou o ex-presidente brasileiro em seu discurso. A BBC Brasil mostrou que a montagem, com mais de 10 milhões de visualizações apenas na página "Jair Bolsonaro Presidente 2018", é falsa.

O vídeo teve tanta repercussão que o administrador da página publicou um texto para tentar se explicar após receber centenas de críticas. "Entendedores, trata-se de uma sátira; é óbvio que a legenda não corresponde a tal tradução, uma vez que em tal circunstância, tal notícia estaria vinculada a jornais de alta circulação. Conto com a compressão", diz o texto.

Paul McCartney

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Recentemente, um vídeo com o cantor Paul McCartney também viralizou após ser publicado com legendas erradas. O diálogo falso do Beatle foi tido como verdadeiro e compartilhado milhares de vezes em redes sociais.

A declaração, feita a estudantes de um instituto de artes de Liverpool, na Inglaterra, foi totalmente distorcida para parecer que ele estava elogiando o ex-presidente Lula.

Na versão falsa, McCartney diz que "Lula é um líder mundial" e que os "ignorantes ficam gritando: 'Peguem o Lula'". A legenda incorreta ainda afirma que o ex-presidente será indicado ao prêmio Nobel e vencerá as eleições em 2018.

Em nenhum momento de sua declaração original McCartney citou Lula ou a política brasileira.

Sergio Moro

O juiz federal Sérgio Moro entrou na mira dos holofotes após os recentes desdobramentos da operação Lava Jato. A visibilidade, por outro lado, também rendeu uma série de boatos contra ele, como um que aponta o juiz vendeu grampos de conversas do ex-presidente Lula à Rede Globo por R$ 5 milhões.

Até mesmo um documento com o nome do juiz foi falsificado na tentativa de mostrar que o Moro é filiado ao PSDB. Moro, que era professor da UFPR (Universidade Federal do Paraná), também é acusado de continuar acumulando os salários de professor e juiz. Todas as informações foram negadas.

BBC Brasil

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Nem a BBC Brasil escapou dos boatos publicados recentemente na internet sobre o imbróglio político. O portal Web Justiça publicou uma reportagem no dia 11 de março afirmando que a juíza Maria Priscila Veiga Oliveira, da 4ª Vara Criminal de São Paulo, havia negado o pedido de prisão de Lula feita pelo Ministério Público de São Paulo.

O site citou a BBC Brasil como fonte de informação e disse que a matéria já tinha sido excluída pelo portal. A BBC nunca publicou a reportagem citada.

E a juíza preferiu encaminhar a denúncia da Promotoria paulista para o juiz Sérgio Moro, que já investigava os casos da Lava Jato e as delações que citaram Lula. A falsa notícia chegou a ser compartilhada por diversas páginas, algumas geridas por pessoas ligadas ao PT.

Joaquim Barbosa

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O ex-ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Joaquim Barbosa teve um suposto áudio gravado por ele com críticas contra Lula e elogios a Sergio Moro. Neste domingo, Barbosa usou sua conta no Twitter para desmentir o boato.

Na mensagem de áudio, o falso Joaquim Barbosa diz que Lula tem o objetivo de "implodir a operação Lava Jato" e diz que o ex-presidente não é bobo. "Ele sabe que alguns cardeais da oposição sabem também que Sergio Moro não tem partido. Que o primeiro (a ser preso) agora é Lula e o PT, mas depois Sergio Moro não vai titubear de botar Aécio Neves e outros, se for o caso, na cadeia", prossegue a mensagem falsa.

PT

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Na última quinta-feira, o diretório nacional do PT desmentiu em seu site oficial um comunicado que teria sido emitido pela legenda antes da manifestação contra o impeachment da presidente Dilma Rousseff, na última semana.

A montagem, feita com base em comunicados oficiais do partido, pedia para que sindicatos e militantes convocassem moradores das periferias, "de preferência, negros e pardos", a comparecer às manifestações da última sexta. O texto falso ainda falava para que fosse repassado R$ 30 como "auxílio a esses militantes".

Um dia antes da manifestação a favor da presidente Dilma Rousseff, também foi compartilhada a foto de um suposto panfleto distribuído com ameaças a quem não participasse do protesto: "Vão acabar com o Minha Casa, Minha Vida. (..) É maldade acabar com o Bolsa Família e deixar famílias inteiras sem esse dinheiro", dizia parte do texto.

O vice-presidente e secretário de comunicação do PT, Alberto Cantalice, disse em texto publicado no site do partido que "inescrupulosos teimam em tentar enxovalhar movimentos legítimos contra o golpismo organizados por forças democráticas e populares da sociedade."

Protesto inflado

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O líder do PT na Câmara dos Deputados, Sibá Machado Oliveira, publicou uma foto de um protesto na Coreia do Sul como se fossem manifestantes no ato a favor da presidente Dilma Rousseff na última sexta.

"Esta imagem é em Curitiba. Preciso explicar ao Moro? Não vai ter golpe", dizia a legenda da foto. O petista apagou a imagem de seu perfil no mesmo dia, mas até esta segunda-feira recebia mensagens criticando o descuido.

Deputado usa foto tirada na Coreia para explicar sucesso de manifestação no Brasil

"Não adianta apagar. Já tínhamos printado!", dizia uma mensagem no perfil de Sibá com mais de 4.600 curtidas.

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