Conheca os dinkoistas, que veneram rato de quadrinhos como criador do mundo

O estado de Kerala, no sul da Índia, tem população de quase 33,4 milhões de pessoas e tem o Hinduísmo como religião majoritária, seguida do Islamismo e do Cristianismo.

No entanto, um pequeno grupo de adoradores quer ver reconhecido como minoria o que parece ser uma crença marcada não apenas pelo caráter inusitado, mas pelo espírito satírico.

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O Dinkoismo, criado em 2008, é a religião que venera o deus Dinko. O caso é que Dinko é um rato de histórias em quadrinhos, que ficou popular por fazer parte dos personagens da revista infantilBalamangalam , leitura obrigatória para crianças de Kerala nos anos 80 e 90.

Sátira

No final do mês passado, 500 devotos fizeram uma manifestação na cidade de Kozhikode em que o pedido de reconhecimento fez parte de um ato de protesto contra a exploração ilegal de madeira na floresta de Pankila.

Este posicionamento crítico, por sinal, é típico dos "dinkoistas". O grupo é conhecido por desafiar superstições e a ortodoxia religiosa. Nas mídias sociais, seus ataques a fundamentalistas religiosos ficaram famosos. E o movimento tem milhares de seguidores online.

Seus adeptos praticam "rituais" como o apedrejamento de jacas. Outros princípios "religiosos" são a ausência de templos e a crença de que não existe um céu.

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O Dinkoismo tem inspiração no "pastafarianismo", religião satírica americana que combina elementos do rastafarianismo com a adoração a um deus-macarrão.

"Duas coisas descrevemo o Dinkoismo: somos racionais e liberais. Somos a única religião em que você fica mais pacífico o quão mais fanático fica", disse Partha Sarathy, uma espécie de porta-voz do movimento", à BBC Trending.

Para especialistas, o Dinkoismo se transformou em uma plataforma ideal para ateus e pessoas preocupadas com a influência da religião na política indiana.

"Estamos vendo o crescimento da intolerância religiosa no país", explica Gurhapal Singh, da Universidade de Londres.

Mas nem todo mundo vê graça no movimento. Para Rahul Faslar, escritor e ativista de orientação hinduísta, os dinkoistas exageram nas sátiras. E não vê com bons olhos a campanha para o reconhecimento como minoria religiosa.

"Há uma linha tênue entre a sátira e o desrespeito. Os dinkoistas precisam tomar cuidado".

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