Câmara começa a traçar destino de Cunha: conheça a 'tropa de choque' por trás das manobras para salvá-lo

Mariana Schreiber

Em Brasília

  • Rodolfo Stuckert/Câmara dos Deputados

    Processo contra Cunha é o mais longo da história do Conselho de Ética da Câmara

    Processo contra Cunha é o mais longo da história do Conselho de Ética da Câmara

O Conselho de Ética da Câmara iniciou nesta terça a discussão do relatório do deputado Marcos Rogério (DEM-RO), que recomenda a cassação do mandato de Eduardo Cunha (PMDB-RJ), presidente afastado da Casa.

Espera-se que a votação ocorra nesta quarta. O placar no colegiado está apertado, e os aliados do peemedebista trabalham para emplacar uma punição mais branda, como uma suspensão temporária.

Cunha é acusado de mentir ao ter negado à CPI da Petrobras ser dono de contas no exterior. Ele nega e argumenta que os recursos depositados na Suíça têm origem lícita e são geridos por trusts - ou seja, que é apenas beneficiário do dinheiro.

Apesar do grande desgaste em torno do peemedebista, que hoje responde a uma ação criminal da Operação Lava Jato no STF, o processo contra ele já é o mais longo da história do Conselho de Ética.

Segundo seus opositores, isso decorre de uma série de manobras impetradas por ele e seus aliados --a sessão desta terça, por exemplo, acabou interrompida no início da tarde. Já os que defendem Cunha dizem que agem apenas para garantir o amplo direito à defesa.

Saiba quem são alguns dos líderes da "tropa de choque" do deputado e o que eles têm feito para tentar salvá-lo:

Waldir Maranhão (PP-MA)

Gustavo Lima / Câmara dos Deputados

O presidente interino da Câmara, Waldir Maranhão é aliado fiel de Cunha e tem tomado diversas decisões em seu benefício desde quando era o vice-presidente da Casa.

Ainda no ano passado, Maranhão acatou recurso apresentado por outro aliado de Cunha, o deputado Manoel Júnior (PMDB-PB), para destituir o primeiro relator da denúncia no Conselho de Ética, deputado Fausto Pinato (PP-SP). Depois de muita polêmica, Marcos Rogério (DEM-RO) acabou escolhido como novo relator, o que provocou atraso no andamento do caso.

Em outra ação favorável ao peemedebista, Maranhão decidiu restringir a análise do Conselho de Ética apenas à discussão de que Cunha mentiu à CPI da Petrobras - excluindo assim do processo acusações de recebimento de propina.

Na jogada mais recente para tentar evitar a cassação, Maranhão pediu à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara que se manifeste sobre como o plenário deve analisar a situação de Cunha após a decisão do Conselho de Ética.

Segundo opositores do peemedebista, seja qual for a decisão do conselho, o veredito final sobre a cassação cabe ao plenário da Casa.

No entanto, o deputado Arthur Lira (PP-AL) deu um parecer que pode evitar esse desfecho - nesta tarde, a CCJ vota se aprova ou não essa interpretação.

Arthur Lira (PP-AL)

Divulgação

Arthur Lira foi presidente CCJ, comissão mais importante da Câmara, no ano passado. Ele conseguiu o cargo, com aval de Cunha, após ter o apoiado na eleição para o comando da Câmara.

Agora, como integrante da comissão, pediu para relatar a consulta de Maranhão sobre o andamento do processo contra Cunha no plenário. Todas as suas respostas foram favoráveis ao peemedebista.

Em seu parecer, Lira defende a apresentação ao plenário de um projeto de resolução, e não do relatório elaborado pelo Conselho de Ética sobre o pedido de cassação de Cunha. Além disso, também estabelece que, caso o projeto seja rejeitado, ele deverá ser arquivado, com a "consequente absolvição do parlamentar processado".

Se seu parecer for aprovado na CCJ, opositores de Cunha podem recorrer ao Supremo Tribunal Federal para reverter a decisão.

Carlos Marun (PMDB-MS)

Divulgação

O deputado tem sido um dos mais ativos na defesa de Cunha no Conselho de Ética. Ele é suplente, mas pode ser que vote caso a deputada Tia Eron (PRB-BA) se ausente.

Ela foi colocada como integrante titular do conselho por ser aliada de Cunha, mas estaria acuada pela grande pressão que vem sofrendo para votar contra ele. Seu voto é considerado o fiel da balança na votação, já que a julgar pelo posicionamento dos demais membros do colegiado o placar está favorável a Cunha - 10 a 9.

Se Eron ou seu suplente votarem a favor do peemedebista, o parecer por sua cassação será rejeitado por 11 a 9. Mas, se decidir em sentido contrário e a votação terminar empatada em 10 a 10, o presidente do conselho, José Carlos Araújo (PR-BA), favorável a cassação de Cunha, terá o poder de decidir a questão.

Paulinho da Força (SD-SP)

Leandro Moraes/UOL

Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Força, tem se mostrado um aguerrido defensor de Cunha. Ele não esconde que o principal motivo da aproximação foi o interesse no impeachment de Dilma Rousseff.

"O nosso negócio é derrubar a Dilma. Nada nos tira desse rumo", disse ao jornal "Folha de S.Paulo" em outubro. Na ocasião, o presidente da Força Sindical também frisou que está com o peemedebista "para o que der e vier".

Paulinho é líder de seu partido, o Solidariedade, e assumiu a cadeira que cabia ao partido no Conselho de Ética após a representação contra Cunha, na tentativa de evitar a abertura do processo - o que acabou sendo aprovado. Depois, cedeu o lugar para Wladimir Costa (SD-PA), que também tem se colocado na linha de frente da defesa do peemedebista.

Após o PSOL liderar o pedido de abertura de processo contra Cunha, Paulinho apresentou uma representação contra o deputado Chico Alencar (PSOL-RJ) no conselho, movimento que foi visto como tentativa de retaliação. Alencar acabou absolvido.

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