O impacto da tragédia da Chapecoense na cidade de um time só

Chapecó é uma cidade do interior catarinense onde boa parte da população torce para um único time, a Chapecoense, vítima de uma tragédia que abalou o país e o futebol mundial.

A equipe estava a bordo do avião que caiu na madrugada desta terça-feira na Colômbia, onde disputaria a primeira partida da final da Copa Sul-Americana.

Diferentemente os outros municípios próximos do Rio Grande do Sul, onde é comum que os moradores se dividam entre os tradicionais Grêmio e Internacional, Chapecó passou a ter nos últimos anos apenas um time do coração.

Segundo Márcio Coelho, treinador de futsal feminino e masculino da Chapecoense, a paixão é tanta que é possível considerar a camiseta verde do Furacão do Oeste" como o traje oficial da cidade.

"Se você andar na rua, vai ver todo mundo de verde. Nas empresas, restaurantes e lojas você vai ver funcionários, garçons com a camiseta do time."

Chapecó fica no oeste do Estado, próxima da fronteira com a Argentina e com o Rio Grande do Sul, e faz parte do grupo de municípios com os melhores índices sócio-econômicos do país.

Seu IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) é de 0.790, o 67º maior do Brasil e o 12º de Santa Catarina.

Apesar de ter apenas 209 mil habitantes - a quinta maior população do Estado -, é a principal cidade do oeste catarinense. Tem, por exemplo, o principal aeroporto da região, o que ajudou a sustentar o crescimento econômico e turístico recente.

"Trabalhei muito no meio esportivo e nunca tinha visto uma cidade abraçar um clube como a Chapecoense foi pela cidade e região. Foi muito importante economicamente porque fomentou o turismo, recebendo pessoas de fora que vêm acompanhar os jogos", disse à BBC Brasil Marcelo Barella, jornalista especializado em esporte que vive em Chapecó há 20 anos.

"Todos estávamos impressionados com a ascensão, era um momento mágico e todos estávamos na carona", diz o treinador Márcio Coelho.

Glória

A Associação Chapecoense de Futebol (ACF) vivia seus anos de glória.

Embora tenha sido criado em 1973, com o objetivo de reanimar o futebol no oeste catarinense, o time só chegou às disputas nacionais no fim da década passada.

Desde 2009, quando disputou a Série D do Brasileiro, teve uma ascensão fulminante. Chegou à Primeira Divisão em 2014, onde ficou desde então. Neste ano, o ápice: em sua segunda disputa da Copa Sul-Americana, avançou até a final.

"Quando eu era pequena, íamos sempre no estádio, convivíamos com os jogadores e com os treinos, mas achávamos que era um time pequeno, sempre na série C e D. Mas as crianças que estão crescendo hoje veem como um time grande é o meu Chapecoense", disse à BBC Brasil a dentista Manuela Zasso, natural de Chapecó.

"A cidade toda vai ao estádio, você vê criança, adulto, idoso, todo mundo lá", completou.

Nesta terça, porém, indústria e comércio fecharam as portas e as aulas foram suspensas: a Prefeitura decretou um luto de 30 dias pela tragédia.

"Não morreu a equipe, morreu a cidade, é uma tristeza que eu nunca vi na vida. Dizem que o povo do oeste catarinense é guerreiro, mas não sei como vamos nos recuperar disso", diz o técnico de futsal.

Acidente

O avião que transportava o time de futebol da Chapecoense caiu na madrugada desta terça-feira na Colômbia, para onde a equipe viajava para disputar a final da Copa Sul-Americana contra o Atlético Nacional de Medellín.

Setenta e sete pessoas estavam a bordo, entre jogadores, jornalistas e tripulantes. As autoridades colombianas informaram que 71 pessoas morreram e seis sobreviveram.

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