Eleições 2018: Os pré-candidatos à Presidência e quais dificuldades têm de superar até a campanha

Fernanda Odilla - Da BBC Brasil em Londres

Reportagem atualizada no dia 11 de junho de 2018

A lista de pré-candidatos à Presidência está diminuindo. Nos últimos meses, já desistiram de se candidatar o apresentador Luciano Huck, o ex-ministro do Supremo Tribunal Federal Joaquim Barbosa e o presidente Michel Temer. Todos os demais que já anunciaram a intenção de disputar o pleito têm importantes obstáculos a superar até o início da campanha.

Entre eles, pendências na Justiça, disputas partidárias internas, tempo escasso de propaganda no rádio e na televisão, alta rejeição ou falta de popularidade e impedimento para participar de debates.

A BBC News Brasil listou obstáculos dos principais pré-candidatos e partidos que já anunciaram a intenção de se lançarem à Presidência da República. Confira:

Lula (PT)

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, de 72 anos, tem liderado os cenários para a eleição presidencial em 2018. Segundo o último Datafolha, realizado entre 6 e 7 de junho, Lula tem 30% de intenção de voto. Está 13 pontos percentuais à frente do segundo colocado, o deputado federal Jair Bolsonaro. A margem de erro é de dois pontos percentuais para cima ou para baixo.

Mas Lula pode ser impedido de disputar a eleição, uma vez que foi condenado em segunda instância por corrupção e lavagem de dinheiro e sentenciado a 12 anos e 1 mês de prisão. Assim, a candidatura do petista pode ser barrada pela Lei da Ficha Limpa.

O petista teve a prisão decretada em abril, depois que o Supremo Tribunal Federal (STF) recusou o pedido de habeas corpus para que ficasse em liberdade até que se esgotassem todos os recursos.

Embora a situação do ex-presidente tenha se complicado muito após a derrota no STF, há três caminhos que podem resultar na soltura do petista: 1) sua defesa pode apresentar novos pedidos de habeas corpus; 2) o petista pode ter sua condenação anulada pelos tribunais superiores; 3) O STF pode rever seu posicionamento sobre a prisão após condenação em segunda instância para todos os réus do país, o que beneficiaria Lula.

Assim, se tentar concorrer à Presidência, Lula pode usar a campanha como estratégia de defesa das acusações que pesam contra ele. A defesa de Lula, que tenta reverter a condenação sob o argumento de que o ex-presidente é inocente e que não há provas contra ele, traça estratégias jurídicas para mantê-lo na disputa eleitoral por meio de diferentes recursos e pedidos de liminares.

Até o momento, o ex-presidente possui apenas uma condenação, mas é réu em outras seis ações penais, sob acusação de crimes como corrupção, lavagem de dinheiro e obstrução de Justiça.

Além das pendências judiciais, Lula também tem rejeição alta - segundo a última pesquisa Datafolha, 36% disseram não votar nele de jeito nenhum. Menor, entretanto, que a do ex-presidente e senador Fernando Collor de Mello, com 39% de rejeição.

Ainda assim, muitos integrantes da cúpula do PT veem em Lula a única opção para a disputa presidencial. Um plano B seria o ex-ministro da Educação e ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad, que já declarou ser uma "grande deselegância com Lula" se colocar como opção do partido para 2018. Outro nome cogitado pelo partido é o ex-ministro e ex-governador da Bahia Jaques Wagner.

Segundo o Datafolha, tanto Haddad quanto Wagner têm apenas 1% de intenção de voto, cada, em cenários sem Lula.

O PT enfrenta dificuldades para se coligar e deve participar das eleições sem partidos aliados.

Lula nasceu em Pernambuco, mas construiu sua carreira política em São Paulo, incialmente como sindicalista. Em 1986, foi eleito deputado federal por São Paulo para participar da Assembleia Nacional Constituinte. Foi eleito presidente em 2003, depois de ter disputado as presidenciais outras três vezes. Comandou o Brasil por dois mandatos e elegeu a sucessora, Dilma Rousseff, em 2010.

Jair Bolsonaro (PSL)

O deputado federal Jair Bolsonaro, de 63 anos, aparece em primeiro lugar nas pesquisas de opinião nos cenários eleitorais sem Lula. De acordo com a última pesquisa Datafolha, Bolsonaro alcança 19% das intenções de votos quando os petistas Fernando Haddad ou Jaques Wagner ocupam o lugar do ex-presidente.

Bolsonaro trocou de partido para disputar as eleições. O deputado estava filiado ao PSC (Partido Social Cristão) e chegou a assinar a ficha de filiação do PEN (Partido Ecológico Nacional). Mas, em seguida, filiou-se ao PSL (Partido Social Liberal).

Bolsonaro terá pouco tempo de propaganda no rádio e na televisão. Para estipular o tempo de cada candidato, leva-se em conta o número de deputados federais eleitos pelo partido em 2014. No caso do PSL, foram apenas dois. Assim, o deputado não deve ter mais que 15 segundos de cada bloco de 12,5 minutos de propaganda (serão seis blocos por semana, durante 35 dias de campanha).

Desde as eleições de 2014, o PSL conquistou mais deputados. Hoje, tem uma bancada de 10 pessoas. Com esse número, Bolsonaro vai poder participar de debates na televisão.

Os recursos de campanha também são vistos como um desafio para a candidatura. Os apoiadores do pré-candidato apostam na divulgação do número de uma conta para arrecadar doações na internet. O Tribunal Superior Eleitoral autorizou o uso de "vaquinhas virtuais" nessa eleição para arrecadar recursos de pessoas físicas - a doação de empresas permanece proibida.

Bolsonaro tentaria contornar essa limitação usando redes sociais e contando com a produção espontânea de conteúdo de simpatizantes. O pré-candidato também vai precisar mostrar que domina diferentes temas.

Militar da reserva e professor de educação física, Bolsonaro é deputado federal desde 1991 - acumula sete mandatos por cinco partidos diferentes.

Geraldo Alckmin (PSDB)

O ex-governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, de 65 anos, assumiu em dezembro a presidência do PSDB para tentar apaziguar o partido, que se dividiu entre ficar ou sair da base do governo de Michel Temer.

Um dos seus maiores desafios é conquistar votos. De acordo com o último Datafolha, Alckmin tem entre 6 e 7% da intenção de votos, atrás de Bolsonaro, Marina e Ciro Gomes - e em cenários sem Lula.

Alckmin foi confirmado como o único postulante do PSDB à Presidência, depois que o ex-senador e atual prefeito de Manaus Arthur Virgílio desistiu de participar de prévias para definir quem será o candidato tucano nas urnas. No fim de fevereiro, Virgílio criticou o correligionário paulista, a quem acusou de usar a máquina partidária para evitar a disputa, e anunciou que não vai fazer campanha para Alckmin.

O ex-prefeito de São Paulo, João Doria, era outro tucano que almejava a candidatura presidencial, mas acabou deixando o cargo para disputar o governo paulista. Muitos tucanos acreditam que ele "queimou a largada" ao fazer um giro pelo Brasil na tentativa de aumentar sua popularidade - ele ainda é considerado desconhecido no país e não conseguiu alavancar seu nome nas pesquisas.

Além das muitas disputas internas, Alckmin assumiu um PSDB desgastado pelas denúncias de corrupção contra integrantes do partido, em especial as que pesam contra o senador Aécio Neves, que disputou as eleições presidenciais em 2014. Alckmin também foi acusado de receber R$ 10 milhões em quantias não declaradas da Odebrecht, o que nega.

O ex-governador paulista, que deixou o cargo no Palácio dos Bandeirantes para fazer campanha, também não sabe se e quando contará com o apoio do DEM, aliado fiel de eleições anteriores. Coligada, a chapa PSDB-DEM teria, por exemplo, mais tempo de propaganda, mas o DEM lançou candidato próprio.

Alckmin já disputou as eleições presidenciais em 2006, quando perdeu para Lula no segundo turno.

Formado em Medicina, começou a carreira política como vereador e, depois, foi prefeito de Pindamonhangaba (SP), sua cidade natal. Em 1994, foi eleito vice-governador de São Paulo e acabou assumindo o governo com o agravamento do estado de saúde de Mário Covas, em 2001. Perdeu a disputa pela prefeitura de São Paulo em 2008, mas voltou como governador em 2010 e foi reeleito em 2014.

Marina Silva (Rede)

A ex-senadora e ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva lançou oficialmente sua candidatura em 2 de dezembro de 2017, pela Rede. De acordo com o último Datafolha, Marina está em segundo lugar em todos os cenários sem Lula, com entre 14% e 15% de intenção de voto, atrás de Bolsonaro.

Uma das dificuldades que deve enfrentar é o baixíssimo tempo de propaganda no rádio e na TV, de somente 12 segundos. A Rede dificilmente vai se coligar com outros partidos, o que poderia aumentar esse tempo.

O partido conta com uma bancada de apenas três congressistas. Assim, Marina não teria a garantia de participação nos debates. Caberia às emissoras a escolha de convidar ou não a candidata.

A ex-ministra vai precisar também responder a críticas de ser omissa em momentos em que muitos aguardavam um posicionamento firme sobre temas centrais ou disputas políticas, e de ter declarado apoio a Aécio Neves no segundo turno das eleições de 2014.

Avessa a embates e a ataques, a própria candidata avalia que será uma campanha extremamente agressiva.

Marina, que tem 60 anos, disputou as duas últimas eleições presidenciais, uma pelo PV e outra pelo PSB. Ela começou a carreira política no PT.

Ciro Gomes (PDT)

A candidatura presidencial do ex-ministro e ex-governador do Ceará Ciro Gomes, de 60 anos, foi confirmada em março de 2018 pelo PDT.

É o nome ligado à esquerda que vai melhor nas pesquisas. Segundo o Datafolha de junho, nos cenários eleitorais sem Lula, Ciro aparece em terceiro lugar, atrás de Bolsonaro e Marina, com entre 10% e 11% de intenção de votos. Os demais candidatos de esquerda não passam de 2% de intenção de voto.

Ainda segundo o Datafolha, o pedetista tem uma rejeição de 23% do eleitorado - abaixo da rejeição de Lula (36%), Bolsonaro (32%), Alckmin (27%) e Marina (24%).

A falta de aliados para fortalecer a candidatura numa coligação formal é um obstáculo a ser enfrentado. O PDT negocia alianças com o PSB e o PCdoB. "São conversas que ainda estão em construção", disse Carlos Lupi, presidente do PDT, à BBC News Brasil.

O estilo franco e impulsivo que há anos rende a Ciro a fama de "destemperado" pode ser um empecilho. "Todo mundo já teve uma palavra mal dita ou foi mal interpretado", pondera Lupi.

Ciro já foi prefeito de Fortaleza, deputado estadual, deputado federal, governador do Ceará e ministro dos governos Itamar Franco (Fazenda) e Lula (Integração Nacional).

Passou por sete partidos em 37 anos de vida pública. Já concorreu à Presidência duas vezes, em 1998 e em 2002.

Aldo Rebelo (Solidariedade)

Aldo Rebelo, de 62 anos, já foi presidente da Câmara e ministro dos governos de Lula e Dilma Rousseff - comandou a Secretaria de Coordenação Política e os ministérios de Relações Institucionais, Defesa, Esporte e Ciência e Tecnologia.

Para se candidatar, deixou o PCdoB, partido ao qual foi filiado por quase três décadas, para se juntar ao PSB. Porém, Aldo teve problemas no partido. Se opôs à filiação do ex-ministro do Supremo Tribunal Federal Joaquim Barbosa, que foi cogitado como candidato presidencial.

Acreditando estar sem espaço no PSB, Aldo acabou deixando a sigla e se filiando ao Solidariedade. Em 16 de abril, lançou sua pré-candidatura à Presidência.

No Datafolha de junho, Rebelo chegou no máximo a 1% da intenção de votos.

Natural de Alagoas, Rebelo foi líder estudantil. Formado em Direito, começou a carreira política em São Paulo, onde se elegeu vereador pelo PCdoB, na década de 1980. Em 1990, foi eleito deputado federal e representou São Paulo na Câmara por cinco mandatos consecutivos, sempre pelo PCdoB.

Manuela D'Ávila (PCdoB)

Ao anunciar a ex-deputada federal e atual deputada estadual no Rio Grande do Sul Mauela D'Ávila como pré-candidata, o PCdoB praticamente acabou com a possibilidade de o partido ser vice numa eventual chapa encabeçada por Lula.

Ao perderem o aliado, petistas classificaram a decisão do PCdoB como "erro histórico".

No Datafolha de junho, a candidata chegou no máximo a 2% da intenção de votos.

Manuela, de 36 anos, terá cerca de 20 segundos do tempo de propaganda e poderá participar de debates. Apesar de ter sido deputada federal por dois mandatos e líder do PCdoB da Câmara, Manuela não é um nome conhecido em todo o país. Conforme apontou o Datafolha de novembro, ela era conhecida por 24% do eleitorado.

Entre os obstáculos, provavelmente, também estará a dificuldade de desassociar a imagem do partido à do PT - em especial porque o PCdoB foi contra o impeachment da presidente Dilma Rousseff e muitos de seus filiados defendem Lula das acusações que pesam contra ele na Justiça.

Manuela é jornalista de formação e foi a vereadora mais jovem da história de Porto Alegre, eleita aos 23 anos. Em 2006, foi para a Câmara dos Deputados, onde ficou por dois mandatos. Concorreu à prefeitura da capital gaúcha duas vezes, sem sucesso. É deputada estadual desde 2014.

Álvaro Dias (Podemos)

O ex-tucano Álvaro Dias, de 73 anos, ganhou fama no Senado por ser um ferrenho crítico da gestão petista e integrante ativo de CPIs (Comissões Parlamentares de Inquérito).

No ano passado, ele trocou o PV pelo Podemos - antigo PTN - com a expectativa de se lançar candidato, mas ainda enfrenta o desafio de se tornar um nome mais conhecido nacionalmente, capaz de conseguir mais que os 4% de votos sinalizados pelas pesquisas.

Projeções iniciais indicam que ele teria 12 segundos no rádio e na televisão.

Álvaro Dias cursou História e está no quarto mandato consecutivo de senador. Já foi vereador, deputado estadual, deputado federal e governador do Paraná. É de uma tradicional família de políticos do Estado.

Rodrigo Maia (DEM)

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, de 47 anos, foi eleito deputado federal pela primeira vez em 1998, aproveitando da fama do pai, o deputado e ex-prefeito do Rio por três mandatos Cesar Maia. Em março deste ano, o DEM decidiu lançar o nome de Rodrigo Maia à Presidência, rompendo uma aliança histórica com o PSDB.

Desde 1989 o DEM não tinha um candidato próprio na disputa pela principal cadeira do Palácio do Planalto. Naquela eleição, Aureliano Chaves representou o extinto PFL. Em 2007, a legenda mudou de nome - passou a se chamar Democratas - e escolheu Maia para presidir e renovar o partido.

No Datafolha de junho, Maia obteve no máximo 2% da intenção de votos.

Ele se declara um liberal, mas tem bom trânsito com representantes da esquerda. Teria inclusive oferecido a vaga de vice-presidente numa eventual chapa encabeçada por ele ao ex-ministro e ex-deputado Aldo Rebelo.

Com cinco mandatos consecutivos como deputado federal no currículo, Maia começou a cursar economia na Faculdade Cândido Mendes, no Rio, mas, segundo o site da Câmara dos Deputados, não concluiu o curso.

Nos anos 1990, antes de começar na política como secretário de governo do então prefeito do Rio Luis Paulo Conde, ele trabalhou nos bancos BMG e Icatu.

João Amoêdo (Novo)

O ex-banqueiro João Amoêdo, de 55 anos, se afastou da presidência do partido que ele próprio ajudou a criar em 2015 para ser lançado pré-candidato à Presidência. Pelas regras do Novo, candidatos não podem exercer funções partidárias nos últimos 15 meses antes da eleição.

Amoêdo não é um nome que desfruta de popularidade e tem viajado o país para fazer palestras na tentativa de se tornar mais conhecido. No Datafolha de junho, Amoêdo obteve no máximo 1% da intenção de votos.

Novato em eleições gerais, o partido de Amoêdo conta com o apoio de profissionais liberais, de economistas que ocuparam cargos importantes no governo de FHC, como Gustavo Franco, e tem entre seus quadros o ex-treinador de vôlei Bernardinho. A legenda ainda tenta atrair tucanos descontentes que estão deixando o partido.

A maioria deles, contudo, é neófita das urnas.

Formado em Engenharia Civil e Administração, Amoêdo começou a carreira profissional trabalhando para bancos e chegou a ser vice-presidente do Unibanco e membro do conselho de administração do Itaú-BBA. Atualmente, é sócio do Instituto de Estudos de Política Econômica/Casa das Garças.

Guilherme Boulos (PSOL)

Em março, o PSOL anunciou o nome do líder do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), Guilherme Boulos, de 36 anos, como candidato à Presidência. A chapa terá como candidata a vice-presidente a ativista indígena Sônia Guajajara, também do PSOL.

No Datafolha de junho, Boulos obteve no máximo 1% da intenção de votos.

Para o deputado federal Chico Alencar (PSOL-RJ), é mais fácil o partido se coligar com movimentos da sociedade civil organizada do que com partidos políticos. "Há um descrédito muito grande, as pessoas estão com nojo dos partidos", diz Alencar.

Boulos venceu a disputa interna no PSOL, que tinha como pré-candidatos os economistas Plínio de Arruda Sampaio Jr., Nildo Ouriques e Hamilton Assis, militante do movimento negro.

O PSOL avalia que o grande desafio será cumprir a cláusula de barreira que exige para 2018 1,5% dos votos em nove Estados para que as legendas continuem recebendo fundo partidário e tendo acesso a inserções no rádio e na televisão.

A legenda terá cerca de 13 segundos de propaganda eleitoral, mas vai conseguir participar dos debates por ter uma bancada com seis deputados.

Professor e escritor, Guilherme Boulos é formado em Filosofia pela USP, tem especialização em Psicologia Clínica pela PUC-SP e mestrado em Psiquiatria pela USP. É membro da coordenação do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto, no qual milita há 16 anos, e da Frente Povo Sem Medo.

Flávio Rocha (PRB)

O empresário Flávio Rocha, de 60 anos, dono da rede de lojas de vestuário Riachuelo, anunciou em março que pretende disputar a Presidência. Rocha, contudo, não é um neófito na política. Ele foi deputado constituinte pelo PFL. Depois da promulgação da Constituição, em 1988, foi reeleito deputado federal pelo PRN e, em seguida, se filiou ao PL.

No Datafolha de junho, Rocha obteve no máximo 1% da intenção de votos.

Em 1994, ele tentou ser presidente do Brasil. Mas, depois que uma reportagem do jornal Folha de S. Paulo revelou um suposto esquema fraudulento de doação para a campanha de Rocha, o PL o forçou a abandonar a disputa eleitoral. Rocha sempre negou participação e diz que ninguém nunca provou que ele se beneficiaria do esquema.

Rocha não voltou a disputar nenhum cargo público, mas teve o nome cogitado para representar o Rio Grande do Norte no Senado em duas ocasiões distintas.

Em março, ele se filiou ao PRB, que tem fortes ligações com a Igreja Universal do Reino de Deus, para disputar as eleições presidenciais. Antes, lançou um movimento de empresários para defender propostas liberais na economia e conservadoras nos costumes.

O empresário anunciou que vai deixar a vice-presidência e a diretoria de relações com investidores do Grupo Guararapes, dono da rede de lojas Riachuelo, para disputar a Presidência. Ainda é, contudo, considerado um nome desconhecido entre os eleitores.

Paulo Rabello de Castro (PSC)

Recém-filiado ao PSC, Paulo Rabello de Castro, de 69 anos, foi lançado candidato presidencial em novembro e deixou o cargo de presidente do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) no mês passado para disputar a eleição.

Ele ficou quase dez meses no BNDES, onde entrou para substituir a economista Maria Sílvia Bastos Marques.

Nome desconhecido de grande parte do eleitorado, Rabello de Castro não pontuou no Datafolha de junho - isso significa que não teve nem 1% de intenção de voto. Além de incrementar a popularidade do candidato, o PSC pode precisar conter uma migração em massa de sua bancada para outras legendas.

Antes de assumir o BNDES, ele havia sido indicado por Michel Temer para presidir o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Formado em Economia e em Direito, é fundador da primeira empresa brasileira de classificação de riscos de crédito.

Henrique Meirelles (MDB)

Para tentar se viabilizar como pré-candidato, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, de 72 anos, anunciou que deixaria o cargo no início de abril e trocaria o PSD pelo MDB (ex-PMDB).

O presidente Michel Temer desistiu de tentar uma reeleição e já declarou apoio aberto a Meirelles, que também corteja partidos do "centrão" como PP e PR para consolidar sua candidatura.

Mas a falta de popularidade ainda é um obstáculo a ser superado. No Datafolha de junho, Meirelles obteve 1% da intenção de votos.

A trajetória profissional de Meirelles está ligada à área financeira internacional. Antes de ser presidente do Banco Central, entre 2003 e 2011, no governo Lula, foi o principal executivo do BankBoston. Antes de assumir a Fazenda, Meirelles atuou por quatro anos como presidente do conselho de administração da J&F Investimentos, holding criada pela família Batista e controladora da JBS.

Fernando Collor de Mello (PTC)

O ex-presidente do Brasil e atual senador por Alagoas Fernando Collor de Mello (PTC), de 68 anos, anunciou em janeiro que é pré-candidato à Presidência da República. Os planos de Collor foram anunciados durante inauguração do diretório regional do PTC em Arapiraca, cidade alagoana distante 130 km de Maceió.

"Tenho uma vantagem em relação a alguns candidatos porque já presidi o país. Meu partido todos conhecem, sabem o modo como eu penso e ajo para atingir os objetivos que a população deseja para a melhoria de sua qualidade de vida", disse em entrevista à rádio 96 FM, de Arapiraca (AL).

O nome de Collor, contudo, tem a maior rejeição dos eleitores, segundo o Datafolha de junho - 39% dos eleitores dizem não votar nele de jeito nenhum. Sua intenção de voto foi de apenas 1%.

O Partido Trabalhista Cristão (PTC) é o antigo Partido da Reconstrução Nacional (PRN), que elegeu Collor ao Planalto em 1989. Ele já foi presidente do país entre 1990 e 1992, quando se tornou o primeiro presidente eleito pelo voto popular a sofrer impeachment. Em seu lugar assumiu o então vice, Itamar Franco.

Ele está no segundo mandato como senador.

Vera Lúcia (PSTU)

A sapateira Vera Lúcia, de 50 anos, foi lançada como cabeça da chapa presidencial do PSTU, que deverá ter como vice o professor Hertz Dias, da rede pública do Maranhão.

Ela é ativista sindical em Sergipe e ex-militante petista. Vera Lúcia ajudou a fundar o PSTU com outros filiados do PT, depois que foram expulsos em 1992.

Estão cotados também para participar da disputa os nomes do senador Cristovam Buarque (PPS), que foi candidato presidencial em 2006, do filho do ex-presidente João Goulart, João Vicente Goulart (PPL). Há ainda nomes como o de Levy Fidelix (PRTB) que foi candidato em 2010 e em 2014 e deve disputar o pleito novamente.

Reportagem publicada originalmente em dezembro de 2017 e atualizada em 11 de junho de 2018.

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