PIB da China tem pior resultado em 25 anos

Crescimento de 2015 ficou em 6,9%, dentro da meta estipulada pelo governo, mas o pior desempenho desde 1990. Dados podem afetar mercados financeiros internacionais e preço de commodities.

O Produto Interno Bruto (PIB) da China teve crescimento de 6,9% em 2015, em linha com a meta do governo - de cerca de 7% - e com as expectativas de economistas. O ritmo da expansão, porém, é o mais lento em 25 anos, como anunciou Pequim nesta terça-feira (19/01).

A expectativa é de que o resultado acirre os temores em relação à economia chinesa, que há meses lida com incertezas em suas bolsas de valores. As oscilações derrubaram outros grandes mercados financeiros e afetaram o preço das commodities - a China é o maior comprador delas no mundo.

"A economia cresceu em um ritmo moderado, mas estável e sólido", ressaltou o Escritório Nacional de Estatísticas.

Em 2015, o PIB chinês continuou sua tendência de desaceleração progressiva, com expansões de 7% no primeiro e segundo trimestres; de 6,9% no terceiro, e de 6,8% no último. O crescimento no quarto trimestre foi o mais baixo em um período de três meses desde a eclosão da crise financeira mundial em 2008.

Em 2014, o PIB chinês cresceu 7,3%. Nos últimos anos, a China sofreu com a exportação fraca, com poucos investimentos, capacidade industrial sobrecarregada e nível de endividamento elevado.

Em 2015, o crescimento em investimentos em fábricas, habitação e outros ativos fixos diminuiu para 12%, uma queda de 2,9% em relação ao ano anterior. O crescimento em vendas caiu para 10,6%, em comparação com 12% de 2014. Já o comércio eletrônico cresceu 33,3% em comparação com 2014.

Mudança de modelo

Pequim tenta controlar esse enfraquecimento cortando taxas de juros, aumentado gastos e promovendo uma reforma na economia. O setor de serviços foi responsável por 50,5% do PIB, ultrapassando os 48,1% registrados em 2014. Pela primeira vez, esse setor ficou à frente da indústria e da agricultura, uma consequência da tentativa transição do modelo econômico do país, que procura depender menos da indústria e da exportação.

O governo chinês tenta mudar o modelo econômico centrado na produção para um impulsionado pelo consumo interno e em investimentos. E, diante disso, afirma que um crescimento mais baixo é "normal" durante um processo de reformas.

A geração de energia elétrica diminuiu pela primeira vez desde 1968. Em 2015, foram gerados 5,5 trilhões de quilowatts-hora de energia, uma queda de 0,2% em relação ao ano anterior. A diminuição foi causada pelo enfraquecimento da demanda na indústria.

Para especialistas, o crescimento econômico chinês de 2015 ficou dentro de uma escala saudável, porém, muitos esperam uma desaceleração bem maior neste ano.

"A meta foi quase alcançada no ano passado. No entanto, a atual situação econômica não é boa. Acredito que o crescimento neste ano deve ficar abaixo de 6,5%", afirma He Xiaoyu, professor na Universidade Central de Finanças e Economia em Pequim.

O Fundo Monetário Internacional prevê um crescimento na China ainda menor, de 6,3%.

CN/rtr/dpa/lusa/ap

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