Opinião: Um apoio valioso para Trump

Ines Pohl

Correspondente da DW em Washington (EUA)

  • Mary Altaffer/AP

    Sarah Palin, ex-governadora do Alasca, anuncia apoio ao pré-candidato republicano Donald Trump na corrida eleitoral pela Presidência dos Estados Unidos

    Sarah Palin, ex-governadora do Alasca, anuncia apoio ao pré-candidato republicano Donald Trump na corrida eleitoral pela Presidência dos Estados Unidos

Republicano terá em Sarah Palin um aliado importante, que pode lhe render o que faltava na corrida à Casa Branca: mais votos evangélicos e uma nova arma para atacar Hillary Clinton.

Uma coisa pode-se dizer de Donald Trump: ele sabe fazer manchetes. Nenhum outro pré-candidato à presidência norte-americana conseguiu dominar a atenção da mídia de forma tão duradoura e clara quanto ele. Sua jogada mais recente se chama Sarah Palin. Apenas poucos dias antes das importantes primárias de Iowa, ela anunciou seu apoio ao republicano, e isso vale ouro para o bilionário.

Ela possui o que lhe faltava para a importante largada da campanha eleitoral: 52% das eleitoras e eleitores republicanos em Iowa são evangélicos. E mesmo que nas últimas semanas o empresário de Nova York tenha feito tudo para ganhar votos desse eleitorado, em matéria de religião, ele não consegue chegar ao patamar de Ben Carson e Ted Cruz. Nesse ponto, Palin ajuda enormemente. Cristãos fervorosos adoram os valores tradicionais da ex-governadora do Alasca, a sua rejeição inequívoca ao direito de aborto, o tom por vezes racista com que fala sobre muçulmanos.

E não é só aí. Também quando se pensa além das primeiras primárias em Iowa e New Hampshire, essa mulher, que já confundiu Coreia do Norte com Coreia do Sul e que diz poder ver a Rússia a partir do Alasca, ainda vai prestar um grande serviço a Trump. Principalmente no sul do país, a rusticidade de Palin é bem recebida. Nela, a camisa quadriculada e a arma na mão são vistas com bons olhos. Donald Trump conhece seus próprios limites.

A principal arma de Sarah Palin é, no entanto, o fato de ser mulher. Ela vai poder atacar Hillary Clinton de forma diferente do bilionário republicano, que com sua natureza irreverente atrai contra si não somente feministas declaradas. Sarah Palin pode falar coisas que, na boca de Trump, poderiam ser interpretadas como sexismo e, muitas vezes, também são sexistas. Coisas que vão ser difíceis para Hillary Clinton responder sem embarcar no nível populista dessa nova e forte equipe republicana. Um estilo que não combinaria com Hillary. E esse é o aspecto pérfido nesta eleição.

Com John McCain, Sarah Palin já fracassou uma vez como candidata à vice-presidência. Ainda é cedo para especular se ela vai acompanhar Trump na corrida eleitoral, caso ele seja realmente escolhido para representar os republicanos. Em última análise, os dois são bastante parecidos em sua ignorância política e raciocínio estreito. Pois somente atacar o politicamente correto e o establishment corrupto, sem qualquer programa político próprio, não deverá ser suficiente para conseguir realmente ser eleito para a Casa Branca.

Mas, no momento, isso ainda não é importante. Agora, o que importa é a campanha eleitoral para a candidatura às eleições. E com Sarah Palin ao seu lado, Donald Trump conseguiu avançar para muito mais perto da nomeação.

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