EUA e Rússia anunciam acordo de cessar-fogo na Síria

Após fracasso de negociações anteriores, Washington e Moscou chegam a consenso sobre nova trégua, mas bombardeios contra extremistas continuam. Em relatório, ONU acusa EI e Assad de crimes de guerra.

Os Estados Unidos e a Rússia chegaram a um novo acordo de cessar-fogo para a Síria, que deve entrar em vigor no próximo sábado, informou o Departamento de Estado americano nesta segunda-feira (22/02). A decisão não inclui o fim dos ataques contra o grupo "Estado Islâmico" (EI) e a Frente al-Nusra, filiada à Al Qaeda.

Segundo uma declaração conjunta de Moscou e Washington divulgada pelo Departamento de Estado americano, a trégua deve entrar em vigor à meia-noite de sábado.

O presidente americano, Barack Obama, e o presidente russo, Vladimir Putin, teriam conversado por telefone nesta segunda-feira sobre o acordo depois de o ministro das Relações Exteriores russo, Sergei Lavrov, e o secretário de Estado americano, John Kerry, terem acertado os detalhes da negociação.

"Se implementado e respeitado, esse cessar-fogo vai levar não só a um declínio da violência, mas também vai continuar a expandir a entrega de ajuda humanitária urgente a áreas sitiadas e dar suporte à transição política", afirmou Kerry em comunicado.

A trégua teria uma duração inicial de duas semanas, com a possibilidade de ser prolongado "indefinidamente", afirmou o presidente do grupo oposicionista Coalizão Nacional Síria, Khaled Khoja.

Um acordo alcançado entre diplomatas de diversos países em Munique, no último dia 11 de fevereiro, fracassou em meio à ofensiva do regime de Bashar al-Assad contra rebeldes em Aleppo, com o apoio de bombardeios aéreos da Rússia. O novo acordo pode permitir que as partes envolvidas no conflito retomem negociações de paz em Genebra.

Staffan de Mistura, enviado das Nações Unidas para a Síria, afirmou que essa semana é "crucial" para dar um fim ao conflito sírio. "Agora podemos relançar em breve o processo político necessário para acabar com esse conflito", disse à agência de notícias Reuters.

Fontes do governo sírio disseram que estão prontos para dar início ao cessar-fogo desde que os rebeldes não usem esse período para reforçar suas posições.

ONU condena guerra na Síria

Um relatório divulgado pelas Nações Unidas nesta segunda acusa o EI e o governo de Damasco de crimes de guerra. "Violações flagrantes de direitos humanos e do direito humanitário internacional continuam a existir, agravadas pela impunidade", diz o documento da Comissão Internacional de Inquérito para a Síria.

De acordo com a ONU, ambos os lados têm atacado civis de forma indiscriminada, provocado fome generalizada e bloqueando a chegada de ajuda humanitária.

Neste domingo, ao menos 150 pessoas morreram numa série de atentados reivindicados pelo EI em áreas controladas pelo regime de Assad. Os ataques aconteceram em regiões de maioria xiita ou alauita (uma ramificação do xiismo), alvos frequentes do "Estado Islâmico", grupo radical sunita.

KG/ap/rtr

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