Venezuelanos fazem fila para apoiar referendo sobre Maduro

Oscar Schlenker (fc)

Oposição coleta assinaturas para iniciar processo de revogação do mandato do presidente e se preocupa com prazos apertados. Policiais são destacados para manter ordem pública frente a protestos contra racionamento.

As pessoas que faziam fila nesta quinta-feira (28/04) na praça Brión de Chacaito, em Caracas, não aguardavam para conseguir um dos produtos básicos que estão escassos na Venezuela. O objetivo delas era assinar um dos formulários disponibilizados pelo Conselho Nacional Eleitoral (CNE) para que a oposição tente dar início ao complicado processo do referendo para a revogação do mandato do presidente Nicolás Maduro.

Para ativar o referendo é necessário o recolhimento de 195.721 assinaturas, ou seja, o equivalente a 1% dos 19,8 milhões de eleitores venezuelanos. Depois são necessárias 4 milhões de assinaturas (20% do eleitorado) para que o órgão eleitoral marque uma data para a votação.

Não somente em Caracas havia grandes concentrações de cidadãos ansiosos por assinar a planilha. Ao longo de todo o território foram registradas longas filas nos centros de coleta de assinaturas, organizados em questão de horas depois que o CNE entregou os formulários.

A deputada Manuela Bolívar, de oposição, assegurou à DW que, em questão de horas, serão recolhidas as assinaturas necessárias e que, na próxima segunda-feira, os formulários serão entregues ao CNE. Deputados da oposição afirmaram ter recolhido 600 mil assinaturas apenas no primeiro dia, quarta-feira.

Prazos apertados

O tema referente aos prazos é algo que preocupa a oposição, já que o governo decretou feriado às quartas e quintas-feiras para os funcionários públicos devido à crise energética no país. No entanto, a oposição está convencida de que a medida é meramente política e tem o objetivo de retardar a verificação das assinaturas que estão sendo recolhidas.

Se a oposição cumprir todos os requisitos a tempo, o referendo revogatório de Maduro seria realizado ainda neste ano e, em caso de destituição, poderiam ser realizadas novas eleições.

Se a o processo se arrastar, oo referendo poderá ocorrer só em 2017, o que significa que, caso Maduro perca o mandato, que assume é o vice-presidente Aristóbulo Isturiz, que permaneceria como chefe de Estado pelos dois anos restantes, fazendo com que o chavismo se mantivesse mais tempo no poder.

Para Víctor Vega, de 24 anos, coordenador do movimento político Vente Venezuela, "o país não aguenta mais um dia ter Maduro como presidente". Por isso, o movimento apoia o referendo, mas continua exigindo que o presidente renuncie. Para ele, o racionamento de água, eletricidade e alimentos têm se tornado um problema difícil de ser resolvido pelo atual governo.

Para os que apoiam o presidente, como Pedro Rojas, de 53 anos, "temos que ter paciência com as medidas que estão sendo tomadas pelo presidente", já que os problemas que se apresentam na Venezuela são culpa dos efeitos climáticos. Ele assegurou, ainda, que "até que o rio seque", ele continuará apoiando Maduro.

Enquanto a coleta de assinaturas era realizada em alguns locais do país, em outros foram registrados distúrbios, protestos e tentativas de saques. Tanto em alguns locais de Caracas quanto em cidades e povoados do interior foram destacados policiais para manter a ordem pública frente aos protestos de cidadãos contra a escassez de alimentos, a falta de água e o racionamento elétrico.

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