Pitadas: Petit Gâteau, grande sabor

Luisa Frey

Sobremesa de nome francês que conquistou o Brasil tem origem controversa e pode ter surgido a partir de um erro. Desafio ao preparar o bolinho de chocolate é descobrir o tempo exato de cozimento, explica Luisa Frey.

Tem coisa melhor que dar uma colherada no bolo quentinho e ver a fina casca se romper e a aveludada calda de chocolate escorrer em direção ao sorvete de creme? Não é à toa que o petit gâteau se popularizou nos últimos anos no Brasil, figurando no cardápio de muitos restaurantes e ganhando uma série de variações - como de doce de leite e de nutella.

A origem da sobremesa é controversa. Apesar do nome francês, que significa "pequeno bolo", o doce não parece ter sido batizado assim na França, onde uma versão semelhante é hoje chamada de moelleux au chocolat. Alguns dizem que o termo francês teria sido cunhado nos Estados Unidos, mas o bolinho é mais conhecido como lava cake por lá.

Uma das versões sobre a invenção do quitute é a de que ela teria surgido na cozinha do chef Michel Bras, em seu pequeno restaurante em Laguiole, na França. Em 1981, ele teria patenteado seu coulant de chocolate, o pai dos bolinhos de chocolate derretido como conhecemos hoje, em porções individuais, segundo cronologia publicada pela revista gastronômica americana Lucky Peach.

Alguns anos depois, em 1987, o também Frances Jean-Georges Vongetrichten, baseado em Nova York, teria reinventado a sobremesa por acidente. Ao preparar uma receita de sua mãe, ele teria retirado o bolo de chocolate do forno cedo demais e descoberto que o centro líquido deixava o doce ainda mais delicioso, o qual passou a servir com sorvete de baunilha.

O bolinho teria, então, começado a aparecer no menu de outros restaurantes, sendo batizado de lava cake pela rede de restaurantes americana Chart House, segundo a Lucky Peach. Logo o quitute também entrou em livros de receita e se popularizou ainda mais quando passou a ser servido nos restaurantes da Disney, em Orlando, no final da década de 1990.

Teria sido mais ou menos nessa época que a receita chegou ao Brasil. Uma das versões para a introdução do doce no país seria a de que o chef francês Erick Jacquin, radicado em São Paulo, teria adaptado a receita.

Recentemente comecei a me aventurar na cozinha em busca do petit gâteau perfeito. O desafio é descobrir exatamente por quanto tempo assar os bolinhos, que gira em torno dos cinco minutos, dependendo do forno. Se passar um pouco, eles podem assar por completo, perdendo justamente a mágica que lhes é característica ao dar a primeira colherada.

Uma dica é colocar em formas pequenas (eu uso de silicone, muito práticas), pré-aqueça o forno e asse os bolinhos em temperatura alta. Se seu forno tiver luz, observe os bolinhos e retire-os assim que notar que as bordas endureceram.

Receita básica de petit gâteau

Ingredientes (para seis a oito bolinhos)

200 g de chocolate meio amargo

2 colheres de manteiga

4 colheres (sopa) açúcar

4 colheres (sopa) de farinha de trigo

4 ovos

Modo de preparo

Pré-aqueça o forno a 220 ºC. Bata os ovos numa tigela. Adicione o açúcar e a farinha e misture bem. Derreta o chocolate no banho-maria. Retire-o do fogo e acrescente a manteiga e misture até incorporar. Adicione, então, a mistura de ovos, açúcar e farinha. Despeje a massa nas forminhas untadas e enfarinhadas. Leve ao forno por cerca de cinco minutos ou até que as bordas dos bolos endureçam. Retire do forno, deixe esfriar por alguns minutos. Desenforme e sirva ainda quente, acompanhado de sorvete de creme.

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