Imprensa e políticos reagem à nomeação de Boris Johnson

Nova premiê britânica surpreende ao escolher ex-prefeito de Londres e líder da campanha pelo Brexit para o cargo de ministro do Exterior. Político é criticado por gafes e falta de habilidade diplomática.

A nomeação do líder da campanha pelo Brexit Boris Johnson como novo ministro do Exterior do Reino Unido nesta quarta-feira (14/07) gerou perplexidade em boa parte da imprensa e do meio político internacional, que questionam as habilidades diplomáticas do ex-prefeito de Londres.

Johnson é mais conhecido pelas polêmicas do que por sua atuação política. Após se eleger prefeito da capital britânica em 2008, o também jornalista rapidamente se tornou uma figura controversa, colecionando gafes e desafetos dentro e fora de seu país.

"Nunca precisamos tanto de diplomacia, em vez disso, temos Boris Johson", diz um artigo de opinião publicado pelo britânico The Guardian. O jornal destaca que o político "insultou líderes mundiais e até continentes inteiros" em várias ocasiões.

O alemão Die Welt afirmou que, inicialmente, muitos pensaram que a "bombástica" nomeação de Johnson pela nova primeira-ministra, Theresa May, seria uma piada. O periódico lembrou o recente episódio em que o inglês comparou as políticas da União Europeia às de Adolf Hitler.

A revista Der Spiegel sublinhou que "aqueles que pensavam que a falta de vergonha com a qual a classe política britânica joga seus jogos de poder não poderia ser maior" receberam uma prova do contrário. O semanário, porém, avaliou que a nomeação teria como objetivo curar as feridas do Partido Conservador e dar uma demonstração de que May "leva o resultado do referendo a sério".

A chanceler federal alemã, Angela Merkel, evitou comentar a nomeação, afirmando apenas que está ansiosa para começar a trabalhar com May. Também na Alemanha, um dos líderes do Partido Social Democrata (SPD), Ralf Stegner, considerou que a escolha de Johnson enfraquece a imagem da nova primeira-ministra.

Membros do Partido Verde entendem a nomeação como um sinal negativo por parte do novo governo. O líder da bancada da legenda no Parlamento alemão, Anton Hofreiter, disse que a escolha "levanta dúvidas sobre o julgamento da nova primeira-ministra".

"Sinal da crise política britânica"

O ministro do Exterior francês, Jean-Marc Ayrault disse que seu novo homólogo britânico "mentiu muito" e que sua nomeação "revela a crise política britânica" após o referendo sobre o Brexit. O ministro, porém, afirmou que não se preocupa em trabalhar juntamente com Johnson, mas expressou a necessidade de um parceiro de negociação que seja "claro, crível e confiável".

Outros governos foram mais diplomáticos ao comentar a indicação do ex-prefeito. "Estamos ansiosos para colaborar com Boris Johnson", afirmou um porta-voz do Departamento de Estado americano, acrescentando que o relacionamento entre os EUA e o Reino Unido vai "além de personalidades".

Em Moscou, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, disse esperar que Johnson adote uma nova postura como ministro. "O peso de seu atual cargo [...] irá certamente gerar uma retórica diferente, de natureza mais diplomática", afirmou.

RC/dw/rtr/afp

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