Autor de ataque em Munique era extremista de direita

Segundo jornal alemão, Ali David S. tinha orgulho de ter nascido no dia do aniversário de Hitler, se dizia ariano e voltava seu ódio contra estrangeiros, principalmente turcos e árabes.

O autor do ataque num centro comercial em Munique, que resultou na morte de nove pessoas, sentia orgulho de ter nascido no mesmo dia que o líder nazista Adolf Hitler e se dizia ariano por sua condição de alemão e iraniano, segundo informou a edição digital do jornal alemão Frankfurter Allgemeine Zeitung (FAZ) nesta quarta-feira (27/07).

De acordo com o periódico, que faz referência a fontes das forças de segurança, Ali David S., de 18 anos, tinha o propósito de matar o maior número de pessoas que conseguisse - restaram cerca de 300 balas quando se suicidou - e elegeu a sexta-feira para seu ataque por ser o quinto aniversário do massacre do islamofóbico norueguês Anders Behring Breivik.

Ali David S. não militava nas fileiras ultradireitistas nem frequentava os ambientes neonazistas de Munique, mas, segundo o Frankfurter Allgemeine Zeitung, voltava seu ódio contra os turcos e os árabes. A tese é apoiada pela resposta do atirador, gravada num vídeo, na qual ele afirma ser alemão e ter nascido na Alemanha. A expressão "turcos de merda", que pode ser ouvida no vídeo, possivelmente foi dita por ele.

Já um amigo do atirador afirmou ao site Spiegel Online que Ali David S. nutria um grande ódio contra a maioria dos estrangeiros porque "uns garotos da escola o descascaram pra valer". Ele teria proibido os amigos de o chamarem de Ali porque não queria ser confundido com um muçulmano, relatou esse amigo ao site.

As nove pessoas que morreram no tiroteio tinham raízes estrangeiras, várias de origem turca e kosovar, de idades entre 14 e 20 anos, salvo uma mulher de 45.

Filho de imigrantes iranianos, Ali David S. nasceu em Munique em 20 de abril de 1998 - Hitler nasceu na mesma data em 1889 - e se via como "alemão" e "ariano", já que o Irã é considerado o berço do grupo étnico ariano.

O ultradireitista norueguês Breivik, autor do duplo atentado cometido em Oslo e na ilha de Utoya em 22 de julho de 2011, com 77 vítimas, era seu modelo, de acordo com o jornal alemão.

Este paralelismo já foi apontado nas primeiras investigações policiais após o massacre, já que foram achados em seu quarto textos do atirador norueguês, além de documentos sobre outros massacres e banhos de sangue perpetrados em escolas alemãs, como, por exemplo, o atentado em Winnenden, em 2009, onde um jovem de 17 anos matou 15 pessoas em sua ex-escola e, em seguida, cometeu suicídio.

Até o momento, as forças de segurança descartaram relações com o terrorismo islâmico e disseram que não havia indícios de que o jovem havia escolhido suas vítimas pela nacionalidade.

PV/efe/epd/afp/dpa

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