Cerca de duas mil pessoas procuram refúgio em Mossurize

Bernardo Jequete (Chimoio)

Populares dizem fugir de ataques a povoados na província de Manica, centro de Moçambique, e acusam homens armados da RENAMO de tortura, roubo e vandalismo. Polícia também culpa o partido, que não se pronunciou.

Na sede distrital de Mossurize, foram montadas 334 tendas para acolher igual número de famílias. No total, mais de 1600 adultos e mais de 400 crianças procuraram aí refúgio.

Os deslocados dizem que fugiram dos seus povoados por causa dos ataques e ameaças de homens armados do maior partido da oposição em Moçambique, a Resistência Nacional Moçambicana (RENAMO). Deixaram para trás tudo quanto possuíam - as suas casas, o gado e as colheitas - e estão agora em tendas na sede distrital de Mossurize.

Manuel Zondiua conta que o seu povoado foi alvo dos ataques.

"Fugimos de inimigos das nossas zonas. Bandidos da RENAMO. Os homens da RENAMO batiam-nos e achámos conveniente estarmos aqui. O Governo dá-nos a comida e sentimo-nos seguros assim," afirma.

Maria Jossefa diz que os homens armados, além de torturar as pessoas, exigiam dinheiro e animais, entre outros bens.

"Fugimos de casa por causa da RENAMO. Andaram a bater nas pessoas e roubavam dinheiro, bois, cabritos e galinhas," relata Jossefa.

Os nossos entrevistados acrescentaram ainda que os homens armados também destruíram pontes e postos policiais e de saúde.

Polícia também culpa a RENAMO

Segundo o responsável pelo grupo, Elias Johane, centenas de pessoas fugiram de cinco localidades e postos administrativos - nomeadamente Chiurairue, Dacata, Chikwekwete, Garagwa e Chirera, os locais mais afetados pela tensão político-militar.

"Fugiram da guerra. Outros foram feridos ou mortos. Muita gente fugiu para cá, porque a maior parte são membros do partido FRELIMO [Frente de Libertação de Moçambique]," diz Johane.

Homens armados voltaram a atacar o distrito de Mussorize no fim-de-semana passado, tendo incendiado três residências. A polícia de Manica atribuiu o ataque à RENAMO. Segundo a porta-voz da polícia de Manica, Elsídia Filipe, "a situação já está controlada".

A RENAMO não se tem pronunciado sobre os ataques em Manica. A DW África tentou contactar o maior partido da oposição moçambicana, sem sucesso.

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