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Principal acusada no caso NSU fala pela primeira vez

29/09/2016 09h17

Em processo contra célula terrorista de extrema direita, Beate Zschäpe lê breve declaração, reconhecendo ter se identificado com ideias radicais, e reitera desculpas às vítimas do grupo e pela própria "má conduta".A acusada de terrorismo de extrema direita Beate Zschäpe, principal acusada pela série de assassinatos atribuídos ao grupo Clandestinidade Nacional-Socialista (NSU, na sigla em alemão), falou pela primeira vez durante o processo nesta quinta-feira (29/09).Zschäpe, de 41 anos, admitiu ter se identificado com partes das ideias nacional-socialistas nos anos 1990. "Hoje não simpatizo mais com isso. Não julgo mais as pessoas por sua origem e visão política, mas por seu comportamento", afirmou.Ao ler sua breve declaração durante a 313º audiência do processo no Tribunal Superior Regional de Munique, Zschäpe falou muito rapidamente e em voz baixa, dando a impressão de estar nervosa. Ela reiterou seu pedido de desculpas às vítimas da célula terrorista de extrema direita e a seus familiares.Cumplicidade em assassinatosZschäpe é julgada desde maio de 2013. A Procuradoria-Geral a acusa de cumplicidade no assassinato de nove pessoas de origem turca ou grega e de uma policial alemã, entre 2000 e 2007, e em dois ataques a bomba atribuídos ao NSU.A suspeita é a única sobrevivente do trio que compunha o grupo. Os dois amigos Uwe Mundlos e Uwe Böhnhardt, encontrados mortos em 2011, teriam cometido os crimes sobretudo por xenofobia."Eu condeno o que Uwe Böhnhardt e Uwe Mundlos fizeram às vítimas e a minha própria má conduta", declarou Zschäpe nesta quinta-feira. De acordo com a acusação, Mundlos e Böhnhardt teriam executado os assassinatos, mas Zschäpe teria organizado a vida do trio na clandestinidade durante 13 anos.Em dezembro do ano passado, Zschäpe havia rompido o silêncioapós dois anos e meio de processo. Nesta quinta-feira, na ocasião, o depoimento foi lido por seu advogado. Ela afirmou, então, que não tinha conhecimento dos assassinatos e pediu desculpas aos familiares das vítimas.LPF/dpa/afp