Gastrônomo preso em Istambul por negar chá a Erdogan

Chefe da cantina de jornal oposicionista está sujeito a quatro anos de prisão por desacato a presidente turco. Vice-líder do pró-curdo HDP é detida por agentes antiterror. Desde golpe de julho, já mais de 40 mil prisões.A onda de prisões na Turquia prossegue, mais de cinco meses após o golpe de Estado fracassado. Entre as vítimas mais recentes está Senol Buran, gerente da cantina do jornal oposicionista Cumhuriyet. A caminho do trabalho, no sábado (24/12), ele se deparou com ruas bloqueadas em Istambul, devido a um discurso do presidente Recep Tayyip Erdogan. Irritado, Buran comentou aos policiais: "Eu não serviria uma xícara de chá a esse homem", sendo detido em seguida. No dia seguinte, o juiz responsável ordenou que Buran permaneça sob custódia policial, aguardando julgamento, por "forte suspeita de haver cometido um crime". O prelado justificou a ordem com o risco de que o suspeito possa "pressionar" testemunhas. Cumhuriyet na mira de Ancara Segundo a legislação turca, insultar o presidente é crime punível com até quatro anos de cárcere. Nos mais de dez anos do atual regime, os advogados de Erdogan já abriram mais 1.800 ações por desacato, inclusive contra caricaturistas, uma ex-miss Turquia e crianças de escola. Para que se inicie um processo contra Buran, contudo, será primeiro necessário aprovação do ministro da Justiça. O Cumhuriyet é um dos poucos veículos de imprensa turcos que ainda oferecem resistência frontal ao presidente conservador. Em novembro, dez membros da redação foram presos por suspeita de apoiar os militantes curdos e o clérigo dissidente Fethullah Gülen, residente nos Estados Unidos e acusado de instigar o golpe de 15 de julho. O antigo redator-chefe do jornal Can Dundar foi preso em 2015 por divulgar segredos de Estado relativos ao apoio de Ancara aos rebeldes sírios. Depois de liberado, ele se exilou no exterior. Presa vice-chefe de partido pró-curdo Nesta segunda-feira, agentes antiterrorismo a levaram de sua casa em Ancara a vice-presidente do pró-curdo Partido Democrático dos Povos (HDP) e ativista dos direitos humanos Aysel Tugluk. Dez deputados da legenda foram presos há cerca de um mês, sob acusação de ligações com o grupo militante Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), declarado ilegal pelo governo turco. Segundo a agência de notícias alemã DPA, Tugluk seria também advogada dos líderes do HDP Selahattin Demirtas e Figen Yüksekdag, presos na ocasião. O HDP alega que, desde que suspendeu as imunidades parlamentares, há alguns meses, o governo Erdogan tem sistematicamente tentado destruí-lo, por meio de prisões e de falsas acusações de que o partido seria um braço político do PKK. De fato, contra quase todos os 59 deputados do HDP correm inquéritos por suspeita de terrorismo. Desde o golpe de Estado fracassado de 15 de julho, mais de 110 mil cidadãos já foram demitidos ou suspendidos na Turquia, 40 mil aguardam julgamento na prisão, e as manifestações de protesto têm sido abafadas com violência. Recentemente as autoridades congelaram os bens de 54 jornalistas investigados por supostas conexões com o oposicionista exilado Gülen. E neste sábado, o Ministério do Interior da Turquia confirmou estar investigando 10 mil usuários da internet suspeitos de atividades relacionadas ao terror ou por postar nas redes sociais comentários sobre as autoridades governamentais considerados injuriosos. AV/ap,afp,rtr,dpa

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