Trump volta atrás em críticas à transição presidencial após falar com Obama

  • Pablo Martinez Monsivais/AP

    Primeiro encontro entre Trump e Obama após eleições, em novembro, na Casa Branca

    Primeiro encontro entre Trump e Obama após eleições, em novembro, na Casa Branca

Magnata acusou nas redes sociais o presidente de prejudicar processo com comentários provocadores, após um início cordial da transição. Horas depois, após conversa com Obama por telefone, Trump retira as declarações.

Depois de um primeiro encontro marcado por cordialidades bilaterais, no qual Barack Obama e Donald Trump expressaram aspirar a uma transição de mandato pacífica, as tensões e diferenças entre o presidente americano e seu sucessor vieram à tona nesta quarta-feira (28/12).

A disputa começou com Trump acusando Obama de tentar prejudicar a transição com comentários incendiários. Em sua conta no Twitter, o magnata escreveu que estava fazendo o melhor para ignorar estas declarações e os obstáculos impostos pelo "Presidente O".

"Pensei que seria uma transição suave – Não!", pontificou Trump.

 

Em seguida ao primeiro comentário, o presidente eleito continuou a expor diferenças nas redes sociais. Ele criticou veemente a decisão dos EUA de se abster na votação do Conselho de Segurança da ONU sobre a resolução contrária aos assentamentos israelenses em territórios palestinos, dizendo que o Estado de Israel não pode ser tratado com desdém e desrespeito.

"Eles [Israel] tinham os EUA como um grande amigo, mas não têm mais. O começo do fim foi o horrível acordo com Irã e agora isso (ONU)! Aguenta firme, Israel, 20 de janeiro está quase chegando", escreveu o magnata, referindo-se à data da mudança de governo.

Pouco depois dos comentários nas redes sociais, Obama conversou com Trump pelo telefone, que então mudou completamente o tom de suas declarações sobre o tema.

"Ele me ligou. Foi um conversa muito, muito boa... gostei de ele ter ligado. Na verdade, acho que cobrimos bastante território. Nossas equipes estão se dando muito bem, e nós também, ao contrário de algumas declarações a que eu respondi", disse Trump à imprensa. Ao ser questionado sobre a transição, o magnata respondeu que estava indo "muito, muito suavemente".

Casa Branca confirma conversa

O porta-voz da Casa Branca, Eric Schultz, confirmou que a conversa fora positiva. Segundo o assessor de Obama, o foco foi a transição pacífica e efetiva, e o presidente e seu sucessor planejaram manter o contato nas próximas semanas.

Desde o resultado da eleição em novembro, Trump e Obama tentavam deixar as diferenças de lado, mas as tensões entre ambos cresceram nas últimas semanas, após Obama declarar que Hillary Clinton foi prejudicada na campanha eleitoral por ataques cibernéticos e dizer que teria sido reeleito para um terceiro mandato, caso a Constituição permitisse uma nova candidatura.

As tensões atingiram o auge na disputa sobre a resolução da ONU que condenou a política de assentamentos de Israel. Trump chegou a pedir a Washington que vetasse a medida. O pedido foi ignorado e o país se absteve na votação, o que permitiu a aprovação do documento.

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