Opinião: Começa viagem ao desconhecido com Donald Trump

Peter Sturm (do jornal "FAZ")

Terminou a espera pelo novo presidente dos EUA. Bom, por um lado, pois chegou a hora de Trump agir, em vez de esbravejar. Por outro, muito permanece imprevisível, opina Peter Sturm, do "Frankfurter Allgemeine Zeitung$escape.getQuote().O período de transição entre os chefes de Estado americanos sempre foi longo, na tradição do tempo das carruagens. Porém, desta vez, muitos fora dos Estados Unidos desejariam que o presidente eleito em novembro tivesse tomado posse mais cedo, pois assim acabaria a torturante insegurança quanto ao que Donald J. Trump pretende com seu país e o mundo. Para o superdimensionado ego do eleito, a tradição da longa transição ter sido mudada por sua causa teria sido uma lisonja. A partir desta sexta-feira (20/01), Trump será presidente. E nós sabemos... nada. Trump se comunicou até demais, mas a visão de sua concepção política – considerando-se que ele tenha uma que vá além da tomada da Casa Branca – permanece apenas aproximativa. Seria equivocado ridicularizar suas declarações, por exemplo, com a justificativa de que isso ou aquilo não seja realista, portanto não vai acontecer. O problema é que, para um presidente americano, bastam declarações em entrevistas para criar realidades ou modificá-las. Tal se aplica, por exemplo, às observações sobre a Otan, que, por um lado, seria "obsoleta", mas por outro também realmente importante. Isso é um convite para os adversários da Aliança Atlântica testarem mais uma vez até onde podem ir sem serem punidos. Essa é uma conexão que até mesmo o espírito mais intelectualmente simplório percebe de imediato. Muitos empresários se consideram os melhores políticos, e Trump se acha, naturalmente, o maior de todos. No entanto, há uma diferença entre impor por decreto o próprio "reinado" dentro de uma empresa e tomar decisões dentro da estrutura altamente complexa chamada "Estado". Empresas atuam num determinado setor e praticamente não precisam se ocupar de outras áreas. Na política, tudo tem a ver com tudo – e não se trata de uma frase boba de fracotes relutantes em se decidir. Pode-se, talvez até mesmo se deva, fazer muita coisa diferente do que fez o presidente Barack Obama. No entanto, cabe torcer para que haja gente capaz de colocar a energia do superego Trump numa trilha mais ou menos previsível. Do contrário, daqui a quatro (ou, quem sabe, oito) anos, não vamos mais reconhecer o mundo.

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