Mais de 3.500 ataques contra refugiados na Alemanha

O Ministério do Interior em Berlim registrou milhares de agressões contra migrantes e suas acomodações em 2016. Oposição critica medidas contra os refugiados, assim como complacência de Berlim com abusos na Turquia.Em 2016 foram perpetrados na Alemanha 3.533 ataques contra refugiados e alojamentos a eles destinados. No total, 560 pessoas ficaram feridas, entre as quais 43 crianças. A informação foi divulgada neste domingo (26/02) pelo Funke Mediengruppe, com base na resposta do Ministério do Interior a uma consulta parlamentar. Em quase 75% dos casos, os migrantes foram agredidos fora de suas acomodações, enquanto 988 ataques ocorreram dentro dos abrigos. Esse número é ligeiramente inferior ao registrado em 2015. Além disso, houve 217 registros de ataques contra organizações para refugiados ou seus voluntários. No momento, o governo da Alemanha está muito atrasado no processamento do enorme volume de pedidos de asilo, e ao mesmo tempo há preocupações crescentes com a segurança, devido à recente série de ataques terroristas na Europa. Em parte por se tratar de ano de eleições gerais, Berlim reagiu endurecendo os requerimentos para concessão de asilo e implementou diversas medidas de segurança. Falando ao grupo de mídia Funke, a porta-voz do partido oposicionista alemão A Esquerda, Ulla Jelpke, comentou que os números mostram que diariamente ocorrem quase dez ataques contra migrantes. Ela exigiu que "o governo pelo menos pare de dar a impressão, com novas leis de asilo mais duras, de que os refugiados são uma ameaça". "Os nazistas estão ameaçando os refugiados, e, portanto, nossa democracia", ressaltou a política de esquerda. Verde Özdemir critica complacência com Erdogan Em entrevista ao tabloide popular Bild, o colíder do Partido Verde alemão Cem Özdemir censurou o governo conservador-social-democrata da Alemanha por sua condescendência com os abusos de poder na Turquia. Ele criticou em especial a visita da chefe de governo Angela Merkel a Ancara, planejada para abril, portanto às vésperas do referendo sobre uma reforma constitucional com que o presidente Recep Tayyip Erdogan visa ampliar os próprios poderes e a duração de seu mandato. Para o deputado de origem turca de 51 anos, essa viagem "só pode ser interpretada como apoio à rota de Erdogan rumo à ditadura". Em 20 de março de 2016 entrou em vigor o acordo entre a União Europeia e a Turquia, em que este país se comprometia a colaborar para conter o fluxo de migrantes em direção ao bloco europeu, em troca de verbas bilionárias e outras vantagens, como o livre ingresso na UE para os cidadãos turcos. Merkel foi uma protagonista decisiva nas negociações para esse pacto. Özdemir também atacou o ministro do Exterior da Alemanha, Sigmar Gabriel, por estar pressionando para que solicitantes de asilo rejeitados sejam deportados para o Afeganistão, embora grande parte desse país haja combates ou condições de guerra. AV/afp,kna,epd,dpa

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